Representante de Trump critica Israel na ONU e cobra avanço do acordo para Gaza

Gaza
Região da Faixa de Gaza, na Palestina ocupada. Foto: Ammar Awad/Reuters

Nikolay Mladenov, responsável por conduzir a implementação do plano de Donald Trump para a Faixa de Gaza, criticou nesta quarta-feira (26) a continuidade dos ataques israelenses no território palestino segundo a Associated Press. Em discurso ao Conselho de Segurança da ONU, o alto representante para Gaza do Conselho da Paz afirmou que as ofensivas dificultam a execução do acordo e advertiu que seu fracasso poderá preparar o terreno para uma nova guerra.

Mladenov argumentou que novos bombardeios contra depósitos de armas não resolverão o problema do rearmamento do Hamas. Para ele, as operações militares acabam atrasando justamente a desmilitarização prevista no acordo negociado pelos Estados Unidos e dificultando a transferência do controle de Gaza para uma administração civil.

A crítica ganha peso por vir do funcionário encarregado de colocar em prática a proposta de Trump. O republicano preside o Conselho da Paz, criado para supervisionar a transição política e a reconstrução de Gaza, e Mladenov atua como seu alto representante no território. O plano recebeu respaldo do Conselho de Segurança da ONU e prevê, entre outros pontos, o desarmamento do Hamas, retirada gradual das tropas israelenses e criação de uma administração palestina transitória.

O Hamas já aceitou entregar suas armas e deixar o governo de Gaza dentro da estrutura negociada pelos Estados Unidos, segundo Mladenov. No fim de julho, o grupo havia concordado com um acordo de desarmamento condicionado ao cumprimento das obrigações israelenses. O principal impasse permanece, com Benjamin Netanyahu afirmando que as tropas de Israel não deixarão as posições atuais antes que o Hamas entregue todo o seu arsenal.

Mladenov disse ter participado, na semana passada, de uma reunião com Netanyahu e Jared Kushner, genro e conselheiro de Trump. Segundo ele, as preocupações apresentadas pelo governo israelense foram examinadas uma a uma e as divergências foram reduzidas a questões técnicas. Mesmo assim, ataques israelenses continuam sendo registrados em Gaza. Na segunda-feira (24), ofensivas aéreas e disparos de tanques mataram ao menos quatro palestinos, entre eles duas crianças, segundo autoridades locais.

Israel sustenta que precisa continuar agindo contra estruturas militares enquanto o Hamas permanecer armado. A vice-embaixadora israelense na ONU, Noa Furman, reiterou que o país apoia o plano de Trump, mas afirmou que ele não pode funcionar enquanto o grupo palestino mantiver seu arsenal. O embaixador estadunidense Mike Waltz também afirmou que o desarmamento será avaliado pelas ações concretas do Hamas.

Mladenov advertiu, porém, que existe uma distância crescente entre o acordo desenhado nas negociações e a realidade em Gaza. Segundo ele, a retomada plena da guerra poderia destruir a própria estrutura construída para encerrar o conflito. O enviado apresentou duas alternativas: uma Gaza desarmada, reconstruída e reintegrada ao mundo ou um território novamente armado, dividido e em ruínas, com outra geração submetida à radicalização e uma nova guerra no horizonte.

Artigo Anterior

Perícia de produtora do Dark Horse aponta que 72% dos R$ 75 milhões foram gastos nos EUA

Próximo Artigo

“Não se argumenta com um tigre”: órgão dos EUA usa fala sobre Hitler para exaltar Trump

Escrever um comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter por e-mail para receber as últimas publicações diretamente na sua caixa de entrada.
Não enviaremos spam!