Terremoto, queda de rochas e rompimento: o que pode ter causado enchente no Nepal

Casas parcialmente submersas por água barrenta após enchente no Nepal
Casas parcialmente submersas por água barrenta às margens de um rio em Trishuli Bazar, no distrito nepalês de Nuwakot. Foto: Reprodução

Um terremoto de magnitude 4,4 é uma das hipóteses investigadas para explicar a avalanche de gelo e rochas que provocou enchentes devastadoras na fronteira entre o Nepal e o Tibete, na China, nesta quarta (26). A tragédia destruiu estradas, pontes, casas e estruturas de geração de energia, além de deixar mortos, feridos e centenas de desaparecidos.

O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) registrou o abalo a 10 quilômetros de profundidade, às 8h37, pouco antes da enchente repentina. Câmeras de segurança haviam captado uma massa de gelo e rochas avançando em direção à passagem terrestre entre os dois países.

Investigadores consideram que o tremor pode ter desestabilizado gelo e rochas acumulados no rio Lhende Khola, no lado nepalês. O rompimento desse bloqueio teria elevado de forma súbita o volume de água e levado a inundação até o rio Bhote Koshi, na região de Rasuwa.

As autoridades locais ainda não confirmaram uma relação direta entre o terremoto e o rompimento que atingiu os rios. Chuvas intensas haviam atingido a região antes do desastre, e parte da água pode ter ficado congelada e represada nas áreas altas do Himalaia.

Desaparecidos e risco de nova inundação mobilizam resgates

Os números de vítimas ainda variam. O balanço inicial citado pelas autoridades apontava ao menos 95 mortes, enquanto o Conselho de Turismo do Nepal informou que oito pessoas morreram e 384 turistas e viajantes estavam desaparecidos. Centenas de pessoas também ficaram feridas.

Entre os desaparecidos, há 291 estrangeiros. A lista inclui 105 indianos, três americanos, 12 britânicos, 17 malaios, quatro sul-africanos, um australiano e uma pessoa dos Países Baixos, além de oito sul-coreanos que trabalhavam em uma usina hidrelétrica.

As autoridades alertaram moradores dos distritos de Nuwakot, Dhading, Chitwan e Gorkha para que permaneçam em locais seguros e acompanhem os avisos oficiais. Um bloqueio na parte superior do rio Lhende Khola mantém o risco de uma segunda inundação, e estados indianos como Bihar e Uttar Pradesh também receberam alertas.

Policiais e militares participam dos resgates, mas helicópteros enfrentam restrições porque ainda não conseguem pousar nas áreas atingidas. No lado chinês, 574 socorristas foram mobilizados na passagem de Gyirong, enquanto a Índia informou que coordena assistência com Katmandu e a Coreia do Sul prepara uma equipe de resposta rápida.

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