
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a Polícia Federal (PF) a acessar integralmente o material apreendido pela Polícia Civil de São Paulo na investigação sobre a produtora do filme “Dark Horse”. A decisão dá aos investigadores federais acesso direto às provas originais do caso, ampliando a decisão anunciada na última terça-feira (25).
A PF poderá examinar os relatórios produzidos pela polícia paulista, documentos, dados brutos extraídos das mídias apreendidas e os registros de cadeia de custódia. Esses registros apontam como as provas foram recolhidas, armazenadas e analisadas durante a apuração.
Dino atendeu a um pedido da própria Polícia Federal. Com o material completo em mãos, os agentes poderão confrontar os elementos já analisados pela Polícia Civil com sua própria leitura dos arquivos e documentos.
Investigadores consideram como possibilidade futura a federalização das apurações ligadas ao financiamento de “Dark Horse”. Essa medida poderia concentrar frentes do caso no STF, sob relatoria de Dino, mas ainda não há decisão nesse sentido.

PF e PGR podem provocar debate sobre federalização
A discussão sobre uma eventual federalização pode partir de um pedido da PF ou de manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR). Por enquanto, a autorização de Dino se limita ao compartilhamento amplo das provas recolhidas em São Paulo.
O governador Tarcísio de Freitas defendeu publicamente o trabalho da Polícia Civil paulista e classificou como desrespeitosas as críticas de que a corporação teria “segurado” a investigação. A reação colocou a condução do inquérito no centro de uma disputa política.
O caso se soma a outras investigações acompanhadas pelos grupos políticos de olho na eleição de 2026. As apurações sobre “Dark Horse” e o Banco Master atingem o entorno político de Flávio Bolsonaro, enquanto o ministro André Mendonça conduz uma frente ligada ao filme.
Do outro lado, investigações sobre fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e o caso envolvendo Lulinha também entram no cálculo eleitoral. A campanha de Lula comemorou a decisão de Dino e tem criticado, nos bastidores, o ritmo da investigação de “Dark Horse” sob relatoria de Mendonça.