
O corpo da conselheira tutelar Maryna Colucci de Jesus, de 34 anos, que estava desaparecida desde sexta-feira (21), foi encontrado nesta terça-feira (25) enterrado em uma área rural entre Jacuí e Fortaleza de Minas, no Sul de Minas Gerais. O cadáver estava a uma profundidade estimada entre 1,5 e 2 metros.
O principal suspeito é o policial militar José Sérgio de Oliveira, de 43 anos, que levou os investigadores até o local onde o corpo havia sido enterrado. Ele foi preso em flagrante, inicialmente, pelo crime de ocultação de cadáver. A Polícia Civil também pediu a prisão preventiva do militar por possível envolvimento no feminicídio.
Segundo o delegado Marcos Pimenta, chefe do 18º Departamento de Polícia Civil, o próprio policial indicou o ponto onde Maryna estava enterrada e relatou aos investigadores que uma discussão teria terminado com um disparo de arma de fogo.
“Ele falou que houve uma desavença e que houve um disparo de arma de fogo. Posteriormente, ele levou, já assustado, o corpo e o desovou, assim dizendo, na zona rural, próxima a uma propriedade familiar. Conseguiu cavar, dispensou o corpo e jogou terra em cima”, afirmou o delegado à EPTV, afiliada da TV Globo.
A arma que teria sido utilizada no crime foi apreendida. O objeto será submetido a perícia para verificar se foi utilizado no disparo e confrontar os vestígios encontrados no corpo. Maryna foi encaminhada ao Instituto Médico-Legal (IML) de São Sebastião do Paraíso.
A localização do cadáver ocorreu na mesma região que já havia aparecido nas buscas realizadas pela família. Informações obtidas a partir do celular de Maryna apontaram repetidamente para uma área rural próxima a um açude, entre Jacuí e Fortaleza de Minas.
“Meu cunhado conseguiu, pelo Gmail dela, entrar no aplicativo e jogou a gente nesse açude, por três vezes seguidas”, contou Nelma Rosa da Silva, cunhada da vítima.
Familiares chegaram a realizar buscas no local e equipes de segurança também estiveram na região, mas inicialmente não encontraram objetos ou vestígios que indicassem a presença de Maryna.
Maryna Colucci, conselheira tutelar de 34 anos, foi encontrada morta e enterrada em área rural no sul de Minas, em Jacuí.
O principal suspeito de assassinar a mulher trans é um policial militar de 43 anos. pic.twitter.com/jqfBBOfrGw
— StagePop (@stagepopbr) August 26, 2026
Policial militar é investigado por possível feminicídio
De acordo com a Polícia Civil, as informações sobre a localização do corpo foram fornecidas pelo policial na presença de advogados. José Sérgio também teria apresentado uma possível motivação para o crime, mas os investigadores não divulgaram detalhes para não comprometer o andamento da apuração.
A defesa do militar, representada pelo advogado Ricardo Alexandre Lima e Lima, informou ao g1 que o suspeito está colaborando integralmente com as investigações.
Além da investigação criminal, o caso será apurado internamente pela Polícia Militar. O comandante da 18ª Região da PM, Cláudio Aparecido da Silva, afirmou que a corporação tomou conhecimento da possível participação do militar depois do desaparecimento e passou a verificar as informações.
“Nós procuramos até o contato com o próprio militar, para ver como ele iria se manifestar a esse respeito, e ele acabou por admitir que havia praticado o fato, inclusive tendo prestado os esclarecimentos que foram necessários para a localização do corpo”, afirmou o comandante.
A Polícia Militar informou que deverá instaurar um processo administrativo para avaliar a permanência do policial nos quadros da corporação, conforme o avanço da investigação e a reunião das provas.
Um policial militar foi preso suspeito de envolvimento no desaparecimento e morte de Maryna Colucci de Jesus, de 34 anos, encontrada morta na tarde dessa terça-feira (25/8), na zona rural de Jacuí, no Sul de Minas. Segundo a Polícia Militar, o suspeito prestou informações que… pic.twitter.com/w56PwEg0vn
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Desaparecimento de Maryna mobilizou a família
Maryna foi vista pela última vez na sexta-feira, quando saiu da casa dos pais usando shorts, camiseta e chinelos. Segundo familiares, ela saiu sem maquiagem, sem tomar banho e com o cabelo preso, comportamento considerado incomum.
Uma testemunha contou à família que teria visto Maryna parada a cerca de 200 metros de casa, aparentemente esperando a chegada de um carro. Os parentes acreditam que ela poderia encontrar alguém conhecido para resolver rapidamente alguma questão e retornar para casa.
No sábado (22), Maryna deveria trabalhar pela manhã, mas não apareceu. Ela era conselheira tutelar em Jacuí e estava de folga na sexta-feira, quando desapareceu.
A investigação agora deverá esclarecer a dinâmica do crime, a relação entre Maryna e o policial militar, a motivação e as circunstâncias do disparo. A Polícia Civil também deverá analisar eventuais qualificadoras do homicídio.
O caso causa comoção no município de Jacuí e levanta ainda a discussão sobre a violência contra pessoas trans, especialmente diante da suspeita de que Maryna tenha sido assassinada por alguém com quem mantinha uma relação afetiva.
O sepultamento de Maryna Colucci de Jesus estava previsto para as 20h desta terça-feira, no Cemitério Municipal de Jacuí.