
Em sua coluna na Folha, publicada na terça-feira (25), o jornalista Elio Gaspari culpou o governo Lula pela crise de grandes empresas brasileiras, como Casas Bahia, Braskem e Marabraz. Em mais um apelo por austeridade usando números que não dizem respeito ao assunto, o colunista ignora, por exemplo, a culpa das gestões das próprias empresas além de mudanças na práticas de consumo, como o aumento de vendas digitais, que diminuíram a busca por lojas físicas das Casas Bahia e Marabraz. Leia trechos da coluna de Gaspari:
Num espaço de duas semanas, a grande rede varejista Casas Bahia e a gigante petroquímica Braskem anunciaram que entrarão em recuperação judicial ou extrajudicial. Querem repactuar suas dívidas com bancos e fornecedores. Uma deve R$ 17,3 bilhões, a outra renegociará um espeto em dólares equivalente a R$ 56,5 bilhões. A economia brasileira está doente.
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Como o governo e o empresariado são maus pacientes, só admitem a doença quando precisam ir para o hospital, as Casas Bahia como a Braskem foram vítimas de encrencas com as quais conviveram, julgando-se onipotentes.
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A taxa Selic está acima dos dois dígitos desde 2022 e o crédito para capital de giro bateu em 23%. A consequência disso foi uma alta da taxa de inadimplência das pessoas jurídicas que saiu de um patamar de 1,5% em 2020 para 4%. Com menos gente pagando em dia, a banca acautela-se e empresta menos.

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Em qualquer caso, não era isso o que o ministro Fernando Haddad prometia durante a campanha pelo Lula 3.0. Uma redução nos gastos públicos reduziria a pressão inflacionária e permitiria uma queda dos juros, mas até hoje esse tema só aparece, às vezes, durante a campanha.
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O déficit do governo federal duplicou nos últimos 12 meses, indo de 0,7% para 1,4% do PIB. Vem o ministro da Fazenda, Dario Durigan, e diz que isso se deve aos juros. Ouça-se o presidente do Banco Central e ele dirá que os juros estão onde estão porque o governo gasta além de suas posses. Arrecadou 5,6% acima da inflação e gastou 6,3% além do que podia.
Lula 3.0 não trata dos maus sinais que a economia lhe manda. Como a eleição tira do caminho os candidatos derrotados, mas não removerá um único problema, caso ele seja reeleito, entregará o paciente doente a ele mesmo.
De novo ele só ofereceu seus simpáticos chapéus, que não resolvem problema algum.