
O ex-dono da Reag Investimentos João Carlos Mansur entregou nesta quarta (26) à Procuradoria-Geral da República (PGR) uma proposta de delação premiada com relatos sobre operações que envolvem Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O acordo está em ajustes finais e ainda precisa ser assinado, segundo a coluna de Natália Portinari no UOL.
Mansur propôs pagar R$ 40 milhões em multas, valor equivalente ao que recebeu da Reag enquanto a empresa operava, e apresentou 17 anexos sobre suspeitas de crimes financeiros. A negociação ocorre com a PGR e a Polícia Federal.
No material, o executivo afirma que a Reag prestava serviços ao Master e a Vorcaro desde 2019, quando o banqueiro assumiu o controle da instituição. Mansur relata que a gestora estruturava operações com fundos de investimento ligados ao banco.
Ele acusa fundos administrados pela Reag de terem servido para desviar recursos do Master, com uso de laranjas e estruturas offshore. Mansur também entregou documentos sobre transações e negociações diretas que, segundo ele, indicariam conhecimento de Vorcaro sobre os desvios.
Acordo aguarda análise de André Mendonça no STF

A delação só seguirá ao gabinete do ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), depois da assinatura formal. Mendonça decidirá sobre a homologação caso o acordo cumpra os requisitos legais.
A PGR busca identificar caminhos para recuperar valores desviados do Banco Master. Mansur apontou novos nomes de empresas e fundos que teriam integrado a estrutura investigada, enquanto informações antes prestadas por Vorcaro foram consideradas insuficientes pela PGR e pela PF.
Em um dos anexos, Mansur cita o Jaguar Multimarket Fund Ltd, registrado nas Ilhas Cayman e destinatário de R$ 494 milhões enviados pelo Master. Formalmente, Benjamim Botelho figura como beneficiário do fundo, mas o ex-dono da Reag afirma que Vorcaro seria o verdadeiro proprietário.
A delação também trata de fatos investigados na Operação Carbono Oculto, que apurou suspeitas de lavagem de dinheiro do crime organizado por meio de fundos da Reag, e na Operação Compliance Zero. As investigações do Banco Central e da PF apuram uma triangulação em que empréstimos do Master a empresas sem operação real chegavam a fundos e eram usados na compra de ativos registrados por valores acima dos de mercado.