
O senador Flávio Bolsonaro (PL) aposta na defesa do fim da reeleição como forma de atrair Michelle Bolsonaro (PL), o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) para sua campanha presidencial.
Aliados do senador avaliam que os três ainda participam de forma tímida da mobilização eleitoral. A estratégia busca transformar a proposta em um ponto de convergência para lideranças da direita que têm influência sobre diferentes parcelas do eleitorado bolsonarista.
Michelle, Tarcísio e Nikolas são considerados peças importantes para ampliar o alcance da candidatura de Flávio. Estrategistas ligados ao senador entendem que a resistência deles decorre também de projetos presidenciais próprios para os próximos anos.
Se conquistar novo mandato em São Paulo em 2026, Tarcísio não poderá tentar outra reeleição ao governo em 2030. Aliados do governador apontam a disputa pelo Palácio do Planalto como um caminho possível para ele naquele momento.

Projetos de Michelle e Tarcísio influenciam cálculo eleitoral
Michelle poderá disputar a Presidência mesmo que vença a eleição para o Senado, pois estaria no meio do mandato. A possibilidade alimenta a avaliação de aliados de que uma eventual permanência de Flávio no Planalto até 2030 reduziria o espaço para seus planos eleitorais.
Nikolas Ferreira só poderá concorrer à Presidência em 2031, quando completar 35 anos. Por isso, a campanha de Flávio tenta associar a proposta de impedir novas reeleições presidenciais à abertura de espaço para outros nomes da direita no futuro.
O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio, assumiu o papel de defensor da proposta para dar peso ao compromisso. Ao PlatôBR, ele afirmou que Flávio pretende trabalhar pelo fim da reeleição durante uma eventual transição de governo caso vença a disputa presidencial.
Jair Bolsonaro também defendeu o fim da reeleição em 2018, antes de assumir a Presidência. No comando do Palácio do Planalto, porém, não levou a proposta adiante e buscou, sem sucesso, a reeleição em 2022.