Após pressão de Lula, EUA retomam negociação com Brasil sobre tarifaço

Brasil e Estados Unidos retomarão na próxima segunda-feira (31) as negociações sobre o tarifaço imposto pelo governo de Donald Trump aos produtos brasileiros. A reunião foi marcada por iniciativa dos norte-americanos após Lula defender diretamente com o presidente dos EUA a retirada das medidas.

A conversa entre os representantes dos dois governos está prevista para às 14h30 e será conduzida pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, e pelo representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer. 

A reunião deve ocorrer de forma virtual.

Greer procurou o ministro brasileiro depois do telefonema entre Lula e Trump, realizado na última sexta-feira (21). Segundo o Palácio do Planalto, o presidente brasileiro reiterou que as tarifas são infundadas e prejudicam as economias dos dois países. Trump concordou com a retomada das conversas entre as equipes técnicas.

A primeira reivindicação do Brasil será a retirada de mais produtos da lista submetida às tarifas adicionais. Em uma etapa posterior, o governo pretende negociar a reversão das medidas adotadas por Washington.

Representantes do governo e do setor industrial avaliam com cautela a reabertura do diálogo, uma vez que mais de 30 contatos realizados anteriormente com autoridades norte-americanas não resultaram em acordo.

Produtos brasileiros pagam até 37,5%

O governo Trump impôs duas sobretaxas às mercadorias brasileiras neste ano. A primeira adicionou 25% sobre parte das exportações, com base em uma investigação que acusou o Brasil de adotar práticas prejudiciais ao comércio norte-americano. 

Washington incluiu entre as justificativas o Pix e a regulação das plataformas digitais, medidas internas que não conferem tratamento discriminatório aos Estados Unidos, transformando decisões soberanas do país em pretexto para pressionar o governo brasileiro. 

Uma segunda investigação, relacionada ao combate à importação de produtos fabricados com trabalho forçado, resultou na cobrança adicional de mais 12,5%. Com isso, parte das mercadorias brasileiras passou a enfrentar uma tarifa total de 37,5% para entrar nos Estados Unidos.

Petróleo, café e carne bovina estão entre os produtos que ficaram fora da cobrança adicional. Setores como calçados, máquinas, madeira e açúcar, no entanto, continuam submetidos à alíquota máxima.

Além das justificativas comerciais, o anúncio das tarifas foi acompanhado por ataques políticos ao governo brasileiro. Na ocasião, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, acusou Lula de não negociar “de boa-fé” com os Estados Unidos.

Lula e Trump poderão voltar a discutir o assunto pessoalmente em setembro, durante a Assembleia-Geral das Nações Unidas, em Nova York. Os dois presidentes devem discursar no dia 22, semanas antes das eleições brasileiras.

Governo libera crédito para empresas afetadas

Enquanto busca derrubar as tarifas, o governo brasileiro colocou R$13,5 bilhões à disposição do Plano Brasil Soberano. Os recursos do Tesouro Nacional financiarão empresas atingidas pelas barreiras comerciais dos Estados Unidos e pelos efeitos da guerra contra o Irã.

Desse montante, R$5 bilhões serão destinados a exportadores e fornecedores prejudicados pelo tarifaço. Outros R$3,5 bilhões atenderão empresas que comercializam com países do Golfo Pérsico e tiveram suas atividades afetadas pela guerra.

O restante será direcionado a setores considerados estratégicos: R$2 bilhões para projetos industriais e tecnológicos envolvendo minerais críticos, R$2 bilhões para a produção de fertilizantes e R$1 bilhão para outras áreas relevantes da indústria nacional.

As linhas poderão financiar capital de giro, aquisição de máquinas e equipamentos, inovação tecnológica, expansão da capacidade produtiva e adaptação de produtos e processos. Empresas, cooperativas, associações exportadoras e fornecedores dos setores industrial, agropecuário e mineral poderão solicitar os recursos.

O Plano Brasil Soberano contará ainda com R$5 bilhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), elevando para R$18,5 bilhões o pacote destinado a proteger a produção nacional diante das barreiras externas.

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