Mélenchon cresce na França e pode ir ao segundo turno contra Le Pen

Jean-Luc Mélenchon ganhou força na disputa pela Presidência da França e já aparece em condições de levar a esquerda ao segundo turno contra a ultradireitista Marine Le Pen. Pesquisa divulgada nesta segunda-feira (24) coloca o líder da França Insubmissa à frente dos candidatos governistas em três dos cinco cenários testados.

Mélenchon alcança entre 16% e 17% das intenções de voto, após registrar 12% em abril. O avanço lhe permite ultrapassar ou empatar com Édouard Philippe, ex-primeiro-ministro de Emmanuel Macron que até então era considerado o nome mais bem posicionado para disputar o segundo turno.

A pesquisa foi realizada pelo instituto Toluna Harris Interactive para as emissoras M6 e RTL. O levantamento ouviu pela internet 1.764 eleitores franceses entre os dias 18 e 19 de agosto. A margem de erro varia entre 1,4 e 3,1 pontos percentuais, conforme o resultado analisado.

Marine Le Pen permanece na liderança, com índices entre 35% e 38%. Como a eleição presidencial francesa é decidida em dois turnos, os dois candidatos mais votados avançam à rodada final caso ninguém conquiste mais de 50% dos votos na primeira votação.

O instituto ressalva que o levantamento registra apenas a correlação de forças atual e não deve ser interpretado como previsão do resultado. A primeira votação está marcada para 18 de abril de 2027.

Mélenchon supera nomes ligados a Macron

O levantamento testou diferentes composições do campo governista e da esquerda. Jean-Luc Mélenchon (França Insubmissa, esquerda) aparece na segunda colocação em três cenários, empata com Philippe em outro e fica atrás do ex-premiê em apenas um:

  • Jean-Luc Mélenchon (França Insubmissa, esquerda): 16%;
    Édouard Philippe (Horizontes, centro-direita governista):
    14%; Raphaël Glucksmann (Place Publique, centro-esquerda):
    10%; Gabriel Attal (Renascimento, centro governista): 8%;
    Marine Le Pen (Reunião Nacional, ultradireita): 35%.
  • Jean-Luc Mélenchon (França Insubmissa, esquerda): 17%;
    Édouard Philippe (Horizontes, centro-direita governista): 17%;
    Raphaël Glucksmann (Place Publique, centro-esquerda): 10%;
    Marine Le Pen (Reunião Nacional, ultradireita): 35%.
  • Jean-Luc Mélenchon (França Insubmissa, esquerda): 17%;
    Gabriel Attal (Renascimento, centro governista): 15%;
    Raphaël Glucksmann (Place Publique, centro-esquerda): 11%;
    Marine Le Pen (Reunião Nacional, ultradireita): 37%
  • Édouard Philippe (Horizontes, centro-direita governista): 19%;
    Jean-Luc Mélenchon (França Insubmissa, esquerda): 17%;
    François Hollande (Partido Socialista, centro-esquerda): 8%;
    Marine Le Pen (Reunião Nacional, ultradireita): 35%
  • Jean-Luc Mélenchon (França Insubmissa, esquerda): 17%;
    Gabriel Attal (Renascimento, centro governista): 14%;
    François Hollande (Partido Socialista, centro-esquerda): 8%;
    Marine Le Pen (Reunião Nacional, ultradireita): 38%.

Philippe e Attal foram primeiros-ministros de Macron e disputam o eleitorado que sustentou o atual presidente nas duas últimas eleições. 

Os resultados mostram que esse campo ainda não encontrou um candidato capaz de ocupar com segurança o espaço deixado por Macron, impedido de disputar um terceiro mandato consecutivo.

Segundo o levantamento, entre 70% e 72% dos eleitores de Mélenchon na eleição passada declaram que voltariam a votar nele, dependendo da composição da disputa.

“A vitória é possível”

O crescimento foi divulgado um dia depois de Mélenchon discursar diante de milhares de militantes durante o encontro de verão da França Insubmissa, em Châteauneuf-sur-Isère. “A vitória é possível”, afirmou.

O dirigente colocou a economia e a crise climática no centro de seu pronunciamento. Após um verão marcado por ondas de calor, incêndios e seca, defendeu a construção de um “Estado ecológico” e uma “ruptura programática nítida e clara” com as políticas dos governos de Macron.

“O aquecimento global abre uma era totalmente nova da civilização humana”, declarou Mélenchon, ao propor mudanças nas formas de produzir, consumir e organizar a economia.

Ele também atacou o legado dos dez anos de Macron no Palácio do Eliseu. “Sua partida é agora aguardada por todos os lados como uma libertação”, disse.

Divisão da esquerda

O avanço de Mélenchon ocorre em meio à disputa sobre os rumos da esquerda francesa. Raphaël Glucksmann, copresidente do partido Place Publique, lançou sua candidatura no domingo (23) e tenta reunir social-democratas e parte dos ecologistas em torno de um programa mais próximo da União Europeia e distante da França Insubmissa.

Glucksmann registra entre 10% e 11% nos cenários em que seu nome é testado. Ele pressiona o Partido Socialista a abandonar a aliança com Mélenchon, apesar de as duas forças terem atuado juntas na coalizão Nupes, em 2022, e na Nova Frente Popular, formada depois que Macron dissolveu a Assembleia Nacional em 2024.

Mélenchon rejeitou a ideia de que a quantidade de candidaturas inviabilize sua chegada ao segundo turno. “O que conta não é o número de candidaturas, é o número de eleitores”, afirmou.

A pesquisa ainda aponta uma vantagem expressiva de Le Pen nas simulações de segundo turno realizadas neste momento. A candidata da Reunião Nacional aparece com 68%, contra 32% de Mélenchon.

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