El Niño faz oceanos terem o dia mais quente da história; entenda

Incêndio florestal na região de Cap-Ferret, no litoral atlântico da França
Incêndio florestal na região de Cap-Ferret, no litoral atlântico da França, em julho de 2026. Foto: AFP

A temperatura da superfície dos oceanos atingiu 21,1°C no sábado (22), o maior índice registrado desde 1979 pelo serviço climático Copernicus, da União Europeia. A marca superou os 21,09°C medidos em março de 2024 e ocorre durante o desenvolvimento do El Niño no Pacífico tropical.

O conjunto de dados ERA5, usado pelo Copernicus, reúne informações desde 1940, mas passou a oferecer medições mais confiáveis da temperatura da superfície do mar a partir da expansão do monitoramento por satélite, em 1979.

A coordenadora do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo, Samantha Burgess, afirmou que o El Niño eleva a temperatura do sistema em um cenário de aquecimento acumulado. “Os oceanos estão sob um estresse cada vez maior. O El Niño está adicionando calor ao sistema, e isso ocorre em um contexto de décadas de aquecimento causado pelo homem”, disse.

Para Burgess, os efeitos já atingem ecossistemas e populações dependentes do mar. “O número de dias de ondas de calor marítimo em todo o mundo mais do que triplicou desde o início da década de 1990”, afirmou.

El Niño. Foto: Nasa

Águas mais quentes elevam risco de temporais e reduzem absorção de carbono

O aquecimento dos mares transfere mais calor e umidade para a atmosfera, condições que aumentam a probabilidade e a força de temporais. Oceanos mais quentes também reduzem sua capacidade de absorver dióxido de carbono, um dos principais gases responsáveis pelo efeito estufa.

Os oceanos absorvem cerca de 25% das emissões provocadas por atividades humanas, sobretudo pela queima de petróleo, carvão e gás natural. A perda dessa capacidade amplia a concentração de gases de efeito estufa na atmosfera.

O recorde chama atenção porque as máximas globais na temperatura da superfície oceânica costumam ocorrer entre março e abril, no final do verão do hemisfério sul. Junho e julho já haviam registrado as maiores temperaturas para esses meses nos mares.

O Copernicus e outras instituições estimam que o El Niño poderá alcançar níveis não observados há décadas. Em 2026, ondas de calor e seca afetaram a Europa, incêndios florestais atingiram áreas do continente, do Canadá e da Indonésia, e chuvas intensas foram registradas na América do Sul e na Ásia.

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