Canadá desiste de negociar tarifas com Trump e prepara retaliação

Mark Carney e Donald Trump. Foto: Getty Images

O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, interrompeu as negociações comerciais com o governo de Donald Trump e prepara uma retaliação equivalente após os Estados Unidos aplicarem tarifas de 50% sobre cerca de US$ 20 bilhões em produtos canadenses. A decisão amplia a guerra tarifária entre dois países com economias fortemente integradas.

Carney recusou um acordo que, na avaliação de Ottawa, imporia concessões excessivas ao Canadá. O governo canadense afirmou que as exigências de Washington ultrapassaram a redução de tarifas e ameaçavam a liberdade do país para definir futuras relações comerciais e proteger interesses estratégicos.

As sobretaxas americanas atingem produtos como equipamentos esportivos, roupas, cimento e bebidas. O Canadá prometeu responder na mesma proporção, aceitando os riscos econômicos de uma escalada para não firmar um acordo que limite sua política comercial no futuro.

Cerca de três quartos das exportações canadenses seguem para os Estados Unidos. Os dois países também compartilham cadeias produtivas nos setores automotivo, energético e industrial, o que expõe empresas canadenses a perdas de vendas, empregos e investimentos se a disputa se prolongar.

Donald Trump durante anúncio do tarifaço. Foto: AFP

Brasil mantém negociação, ação na OMC e estudo de retaliação

O Brasil enfrenta tarifas adicionais impostas por Trump, mas ainda não adotou contramedidas. Em julho, os Estados Unidos concluíram duas investigações comerciais contra o país e estabeleceram uma tarifa adicional de 25% para determinados produtos brasileiros, além de uma sobretaxa de 12,5% ligada ao combate ao trabalho forçado nas cadeias globais de produção.

Levantamento do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços apontou que as medidas atingem diretamente 23,1% das exportações brasileiras aos Estados Unidos. Outros 52,7% ficaram fora das novas tarifas adicionais específicas ou setoriais, em razão de exceções e da variedade de produtos vendidos ao mercado americano.

Em 13 de agosto, o governo Lula iniciou o processo previsto na Lei da Reciprocidade Econômica para avaliar eventuais respostas aos Estados Unidos. A legislação permite medidas sobre mercadorias, serviços e propriedade intelectual, mas Brasília ainda precisa concluir as análises técnicas e políticas antes de decidir se retaliará.

O Brasil também pediu consultas formais aos Estados Unidos na Organização Mundial do Comércio em 27 de julho, contestando as duas sobretaxas. Washington aceitou participar do procedimento, que não oferece alívio imediato aos exportadores, enquanto o mercado americano continua como o segundo maior destino das vendas brasileiras, atrás apenas da China.

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