Depois de uma semana de vazamentos seletivos e diários, bem ao estilo lavajatista, destinados a favorecer o candidato do imperialismo americano nas eleições brasileiras, o rumo da cobertura jornalística das eleições pela mídia empresarial ficou ainda mais claro no último domingo. A Band transformou seu espaço de debate em palanque para personagens grotescos da extrema direita, contribuindo para tornar ainda mais tóxico e despolitizado o debate eleitoral no país. Ao que tudo indica, esse é justamente o objetivo.
Tudo começou quando parte da mídia passou a tratar com extrema naturalidade as candidaturas de outsiders oportunistas, com forte presença nas redes sociais. A estratégia é colocar esses personagens no centro do debate para que os candidatos bolsonaristas apoiados pela Faria Lima e por seus porta-vozes possam parecer mais “sensatos”.
Esse movimento revela também algo mais profundo: o esgotamento da democracia liberal burguesa em um mundo marcado por crises econômicas, ambientais, geopolíticas e humanitárias cada vez mais graves. Diante desse cenário, setores da mídia apostam na espetacularização da política como forma de tirar o foco dos problemas reais enfrentados pela classe trabalhadora e pelos setores oprimidos.
Quem não se lembra de como Pablo Marçal foi usado para atacar Boulos de forma agressiva, caluniosa e covarde, contribuindo para a campanha de Ricardo Nunes na eleição para a Prefeitura de São Paulo? Da cadeirada no “coach picareta” até a eleição de um aliado do PCC para governar a maior cidade da América Latina, aqueles episódios ainda estão muito presentes na memória.
O episódio da Band também deixa evidente que os convites para participação em debates são, antes de tudo, uma escolha política, e não uma exigência da legislação eleitoral. As emissoras adotam, na prática, dois pesos e duas medidas. Convidam sistematicamente figuras histriônicas da extrema direita, mesmo quando seus partidos não possuem o número mínimo de parlamentares exigido para garantir presença, mas ignoram partidos da autodenominada “esquerda radical” que lançaram candidaturas próprias.
É perfeitamente legítimo discutir se o programa dessas organizações é adequado ao momento atual ou se suas táticas eleitorais contribuem, de fato, para a derrota do neofascismo e do imperialismo. Isso faz parte do debate político. O que não se pode aceitar é que essas candidaturas sejam excluídas dos debates sob critérios que não são aplicados da mesma maneira às candidaturas da extrema direita.
a decisão de Lula de não participar desse espetáculo de quinta categoria foi correta e ajudou a expor a estratégia da direita liberal. A mídia, alinhada aos interesses do sistema financeiro, continuará abrindo espaço para figuras como esse representante do MBL. Mas, depois desse episódio, o efeito desse tipo de palanque tende a ser menor, justamente porque ficou mais evidente o papel político desempenhado por essas escolhas editoriais.
Nesse contexto, a decisão de Lula de não participar desse espetáculo de quinta categoria foi correta e ajudou a expor a estratégia da direita liberal. A mídia, alinhada aos interesses do sistema financeiro, continuará abrindo espaço para figuras como esse representante do MBL. Mas, depois desse episódio, o efeito desse tipo de palanque tende a ser menor, justamente porque ficou mais evidente o papel político desempenhado por essas escolhas editoriais.
Diante desse cenário, duas questões deveriam orientar a atuação de todos os setores da esquerda nesta disputa eleitoral tão importante.
1. Unidade para enfrentar o neofascismo. Não podemos deixar para o segundo turno a construção da campanha pela reeleição de Lula. É preciso buscar essa unidade desde agora, envolvendo todas as organizações da esquerda, inclusive aquelas que lançaram candidaturas próprias, como UP, PCB e PSTU, ainda no primeiro turno. Até porque tudo indica que o voto útil da direita poderá ocorrer já na primeira etapa da eleição.
2. Unidade pela aprovação do fim da escala 6×1. Agora que o tema está em discussão no Senado, a defesa dos direitos dos trabalhadores precisa ocupar um lugar central no debate eleitoral. Essa também é uma forma concreta de enfrentar a agenda econômica defendida pelas elites e mostrar que a esquerda pode apresentar respostas para problemas que afetam diretamente a vida da maioria da população.
É nesse terreno que a esquerda precisa disputar a eleição: com unidade, diálogo, defesa dos trabalhadores e um enfrentamento firme e democrático ao projeto da extrema direita. Mais do que reagir às pautas impostas pela mídia e pela direita, é preciso construir uma agenda própria, capaz de mobilizar os trabalhadores e apresentar uma alternativa para o país