Trumpista muda de lado após ser preso pelo ICE em aeroporto; entenda

O presidente Donald Trump. Foto: Divulgação

Brent Jindra, vendedor do setor de tecnologia que votou três vezes no presidente Donald Trump, passou a criticar a política migratória do republicano depois que o Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) deteve sua mulher, a russa Galina Bobreneva, em um aeroporto da Califórnia. Ela permaneceu 16 dias sob custódia, embora tivesse um pedido de green card em análise e nenhum antecedente criminal. Com informações da Folha de S. Paulo.

Agentes à paisana abordaram Bobreneva em 13 de julho, após o casal desembarcar de um voo em Burbank. Depois de cerca de 15 minutos de interrogatório, um agente a algemou e a levou em um veículo sem identificação. Jindra tentou acionar o advogado de imigração do casal, mas os agentes se recusaram a falar com ele.

O caso levou Jindra, de 48 anos, a questionar uma agenda que havia apoiado nas urnas. “O apelo da campanha MAGA girava em torno de entradas ilegais de criminosos”, afirmou. “Nunca houve um mandato para este presidente calibrar a mira e começar a perseguir pessoas que entraram legalmente.” O governo Trump tenta elevar as prisões migratórias diárias para cerca de 2 mil.

Bobreneva entrou nos Estados Unidos com visto de turista no fim de 2021, conseguiu duas prorrogações após a invasão da Ucrânia pela Rússia e pediu asilo em 2022. Ela conheceu Jindra em março de 2025, casou-se com ele em dezembro e teve o pedido de residência por casamento apresentado pelo marido em abril. O casal recebeu a confirmação de que o processo havia sido aceito, e ela entregou as impressões digitais exigidas.

Brent Jindra e Galina Bobreneva juntos na Califórnia
Brent Jindra ao lado da mulher, Galina Bobreneva, na Califórnia. Foto: Reprodução

Após passar uma noite no chão de uma cela no centro de Los Angeles, Bobreneva seguiu acorrentada pelos tornozelos, cintura e punhos para o centro de detenção de Adelanto, no deserto de Mojave. Ela relatou privação constante de sono, luzes permanentemente acesas, escassez de água potável e apenas quatro chuveiros em funcionamento para cerca de 120 mulheres. “Eu me senti como um pedaço de carne, não como um ser humano”, disse.

O GEO Group, empresa que administra a unidade, não comentou as acusações e encaminhou as perguntas ao ICE. O Departamento de Segurança Interna negou condições inadequadas e afirmou que os detentos recebem alimentação, água, atendimento médico e meios de contato com familiares e advogados. O órgão também classificou Bobreneva como “uma estrangeira ilegal” e declarou que autorização de trabalho ou pedido migratório pendente não conferem status legal.

Uma audiência de fiança ocorreu em 28 de julho, e Bobreneva deixou a unidade no dia seguinte após o pagamento de US$ 35 mil, cerca de R$ 182 mil. Ela saiu com uma tornozeleira eletrônica e ordem para comparecer ao ICE em San Francisco em 5 de agosto. Após mais de duas horas no prédio da imigração, recebeu instruções para retornar em 7 de setembro.

A primeira audiência judicial de Bobreneva está marcada para 22 de outubro, e o processo pode levar meses. Enquanto aguarda, ela permanece limitada a um perímetro de 75 milhas por causa da tornozeleira. Ao visitar uma praia com a mulher, Jindra disse que ela aproveitava a liberdade “em todo o raio de 75 milhas dela”.

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