
O fenômeno natural El Niño forte pode elevar em 19,9% os preços dos alimentos in natura no Brasil e fazer a alimentação no domicílio avançar 6,32%, segundo um modelo matemático desenvolvido pelo Rabobank. O impacto mais intenso tende a surgir cerca de seis meses depois dos choques climáticos provocados pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico. Com informações de G1.
Nesse cenário, a alta dos alimentos acrescentaria aproximadamente 0,83 ponto percentual ao IPCA. Os produtos in natura responderiam por 0,53 ponto, enquanto os semi-elaborados subiriam 3,6%, com impacto de 0,20 ponto, e os industrializados avançariam 1,4%, adicionando 0,11 ponto.
O banco comparou a evolução do Índice Oceânico Niño, usado para medir a intensidade do fenômeno, com a inflação dos alimentos consumidos em casa nos principais episódios das últimas décadas. Médias trimestrais superiores a 0,5°C caracterizam um El Niño moderado, enquanto valores acima de 1°C indicam um evento forte.
Na divulgação de agosto citada pelo levantamento, a Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos calculou probabilidade de 26% para um El Niño moderado, 57% para um evento forte e 16% para um episódio muito forte. Para o fim do ano, a projeção apontava cerca de 80% de chance de o fenômeno alcançar intensidade forte.
Regiões e alimentos mais expostos ao aumento de preços
Porto Alegre, Curitiba, São Paulo, Rio de Janeiro, Goiânia, Brasília, Fortaleza e Belém concentrariam os maiores aumentos no curto prazo. Salvador e Recife sentiriam efeitos menores inicialmente, mas o repasse dos choques climáticos aos preços poderia ocorrer de forma mais gradual e prolongada.

As hortaliças tendem a reagir primeiro porque têm ciclos curtos de produção e sofrem rapidamente com perdas de oferta. Milho, café, frutas, laranja, cana-de-açúcar, trigo e arroz também podem ficar mais caros caso o El Niño ganhe intensidade e prejudique safras específicas.
Os alimentos semi-elaborados, como arroz e feijão, absorvem os efeitos de maneira mais lenta por causa do encarecimento dos insumos. Nos industrializados, custos de processamento, embalagem, transporte e comercialização diluem o peso imediato das alterações climáticas sobre o preço final.
O Instituto Nacional de Meteorologia prevê maior exposição da pecuária no Centro-Oeste e no Norte, onde a escassez de chuva pode reduzir a água disponível para as pastagens. No Nordeste, o calor e o baixo volume de chuvas podem favorecer a colheita do feijão, enquanto as precipitações acima da média no Sul podem beneficiar culturas de inverno e influenciar a produção de leite.