O roubo de celulares é uma das principais causas de insegurança apontadas pelos brasileiros. Para lidar com o problema — que alimenta uma ampla rede de crimes físicos e virtuais — o governo federal vem aplicando uma estratégia nacional, envolvendo os estados e comandada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP).
Apesar de ainda ser alto, segundo a pasta, houve redução de 4,5% no número de roubos e furtos de celulares, que passaram de 225.644 no primeiro trimestre de 2025 para 215.589 no mesmo período de 2026.
As iniciativas que vêm sendo tomadas fazem parte de uma atuação integrada do MJSP sobre diferentes etapas da cadeia criminosa, que envolve furto, roubo, receptação e comércio ilegal de celulares e pode chegar ao uso desses aparelhos por organizações criminosas a partir das unidades prisionais.
Nessa frente, o MJSP informa que a Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen) vem atuando para impedir a entrada, a circulação e o uso ilícito desses aparelhos, com ações de inteligência e operações, modernização tecnológica e capacitação de policiais penais.
Segundo o MJSP, as ações de modernização tecnológica contemplam 138 unidades prisionais estratégicas, selecionadas a partir de critérios de inteligência penal, e ampliam os mecanismos de fiscalização e controle para impedir a entrada e a circulação de materiais ilícitos, como aparelhos celulares.
Para tanto, estão previstos investimentos em drones, aparelhos de raio X, kits de varredura, scanners corporais, veículos cela, detectores de metal tipo raquete, pórticos detectores de metal e outras tecnologias voltadas à segurança prisional — parte desses equipamentos já foram encaminhados aos estados.
Durante coletiva na última quarta-feira (19), o ministro Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva falou sobre a estratégia. “O problema do celular figura como uma das principais questões ligadas à percepção de segurança pública. Os aparelhos fazem parte de uma cadeia que diz respeito ao furto, ao roubo e à receptação”, explicou.
Em alguns casos, prosseguiu, “nós temos um ciclo completo, no qual o dispositivo chega, inclusive, às mãos do crime organizado nos presídios. A única forma de enfrentar o problema é por meio da integração federativa do Governo Federal e do MJSP, com as polícias estaduais”.
Dentre as ações implementadas estão as Operações Mute, realizadas de maio até agosto de 2026 pela Senappen em articulação com os sistemas penitenciários dos estados e do Distrito Federal. Ao todo, 12,7 mil policiais penais foram mobilizados, com quase dez mil celas revistadas em 295 unidades prisionais, resultando na apreensão de mais de 2,2 mil celulares.
A atuação alcança ainda a comercialização irregular e a proteção dos consumidores. “O fornecedor que vende celular roubado é sócio do crime. E essa articulação que passamos a ter é fundamental para o combate a essa ilegalidade que tanto afeta os consumidores”, afirmou o secretário nacional do Consumidor, Ricardo Morishita.
Na coletiva, também foi apresentado um balanço sobre outras medidas aplicadas, como a Operação Última Chamada, que recuperou mais de seis mil aparelhos somente entre 10 e 19 de agosto. No período, 97 pessoas foram presas em flagrante, 227 estabelecimentos comerciais foram fiscalizados e 33,6 mil notificações foram enviadas a pessoas que estavam de posse de aparelhos identificados como objetos de crime.