
A campanha do presidente Lula (PT) recebeu o novo Datafolha com alívio. Nos dias anteriores à divulgação, integrantes do partido temiam que a sequência de reportagens envolvendo Lulinha provocasse uma queda mais acentuada nas intenções de voto.
A informação foi revelada pela jornalista Isabel Mega, da CNN Brasil. Segundo sua apuração, o PT vinha acompanhando a crise por meio de medições próprias, que teriam apontado oscilações negativas dentro da margem de erro. Os números e a metodologia desses levantamentos internos não foram divulgados.
No Datafolha, Lula apareceu com 39% no primeiro turno, ante 33% de Flávio Bolsonaro (PL). O presidente oscilou um ponto para baixo em relação à rodada anterior, movimento dentro da margem de erro e interpretado pelo PT como estabilidade.
A preocupação nos bastidores se concentrava nas notícias sobre Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e Marco Aurélio Santana Ribeiro, ex-chefe de gabinete da Presidência, citados em apurações relacionadas à lobista Roberta Luchsinger. As investigações continuam em andamento e não permitem atribuir responsabilidade ao presidente.

O PT passou a sustentar que existe uma sequência de vazamentos seletivos destinada a provocar desgaste político durante a campanha. Trata-se de uma avaliação partidária, ainda sem comprovação. A legenda também afirma que Lulinha está disponível para prestar esclarecimentos, embora ainda não tenha sido chamado para depor.
A campanha pretende diferenciar essas acusações do caso Dark Horse, no qual Flávio aparece diretamente nas revelações sobre pedidos de recursos ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiar um filme sobre Jair Bolsonaro.
A leitura interna é que o resultado do Datafolha afastou, ao menos momentaneamente, o risco de uma deterioração mais forte. O partido, porém, continuará acompanhando as próximas pesquisas para identificar se o desgaste fica restrito à margem de erro ou ganha dimensão eleitoral.