
Andréia Sadi resolveu criticar “o sistema” na GloboNews. Já é a segunda vez que ela comete uma pensata qualquer nota sobre esse tema, como se fosse Moisés descendo da montanha com as tábuas da lei.
É bordão da extrema direita travestido de análise política, devidamente incorporado por uma jornalista que deveria ser menos sem noção.
A fórmula é conhecida: existe uma entidade misteriosa chamada “sistema”, formada por gente poderosa, que trabalha para proteger a si mesma. Ou seja, a descrição da Globo.
Sadi afirima que há “personagens e autoridades com muito poder, com muita caneta, com muito trânsito” trabalhando para deixar as investigações dos casos INSS e Master para depois da eleição e, então, “deixar pra lá”. “O sistema está trabalhando para salvar o sistema. O sistema nunca dorme no ponto”, revela. Uau.
“Tem gente trabalhando pra abafar essas investigações que estão em curso”, tanto “da esquerda” quanto “da direita”. Maravilha.
Quem? Ela pode citar nomes? Não. Segundo Sadi, haveria um esforço para descobrir “para onde foi esse dinheiro”, enquanto autoridades estariam tentando transformar tudo em “página virada”.
É uma explicação circular. Se uma investigação avança, o sistema está trabalhando. Se não avança, o sistema está abafando. Se há vazamento, o sistema está operando. Se não há vazamento, o sistema está escondendo. Tim Maia era mais debochado e preciso: “tudo é tudo e nada é nada”.
Andréia Sadi: Há um esforço de setores em Brasília para abafar investigações sobre Banco Master, INSS, lobista ligada a Lulinha, Centrão e Daniel Vorcaro. Sistema está trabalhando para salvar o sistema e, se fecharmos os olhos, eles vão arrumar um jeito, um acordo para sair dessa pic.twitter.com/M7t7RqGPdP
— Pri (@Pri_usabr1) August 21, 2026
Sadi ainda contou que conversava com uma fonte sobre uma eventual delação do banqueiro Daniel Vorcaro e descreveu o suposto ambiente de cansaço entre investigadores. Alguns olham para novas informações e pensam: “Ah, lá vem a delação do Daniel Vorcaro”. Segundo ela, haveria “um cansaço também dos próprios investigadores”. Bem, no caso de Lulinha, aparentemente, ninguém está cansado.
O delinquente Paulo Figueiredo vive falando contra “o sistema”. É a variação da papagaiada sobre a “Matrix”: quem acredita ter enxergado a engrenagem passa automaticamente a ocupar o lugar confortável de quem está “fora” dela. É preciso tomar a pílula azul (ou a vermelha).
Não por acaso, essa pasmaceira lavajatista retoma o final de “Tropa de Elite 2”, quando o Coronel Nascimento sobrevoa Brasília e fala assim, naquele tom solene que só os idiotas conseguem reproduzir: “Eu fui pra detonar o sistema. Contei tudo que eu sabia. Botei muito político na cadeia. E mesmo assim o sistema continuava de pé. O sistema entrega a mão pra salvar o braço. O sistema se reorganiza, articula novos interesses, cria novas lideranças. E custa caro. Muito caro. O sistema é muito maior do que eu pensava. Não é à toa que entra governo, sai governo, a corrupção continua. O sistema é foda.”
Repita isso em voz alta três vezes ao lado da sua bicicleta e vai aparecer um Pikachu com a voz de Sergio Moro, pronto para salvar o planeta.