
O neuropediatra José Salomão questionou o aumento dos diagnósticos de autismo nível 1 durante participação no programa “Roda Viva” e defendeu um debate sobre os critérios usados nas avaliações clínicas. Ele afirmou que alguns profissionais podem estar confundindo pessoas com traços considerados incomuns com pacientes autistas.
“O limite entre alguém com autismo nível 1 e uma pessoa apenas pouco sociável ou com características específicas é muito pequeno. Depende até do médico”, disse o médico. Segundo ele, os diagnósticos de autismo e TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade) “enganam milhares de pessoas” no mundo.
Segundo o médico, profissionais estão diagnosticando com autismo qualquer “cara esquisito” ou com sintomas similares ao transtorno.
“Quem é autista? Por que aumentou tanto o número de autistas no mundo? Se for ver, o número de autistas severos diminuiu. Onde aumentou? Nível 1 de suporte. O que se encontra no nível 1 de suporte? O que você quiser: indivíduos que têm alguma coisa que lembra autismo, um Bando de gente que não tem nada a ver com autismo, é o cara esquisito, que tem hiperfoco, pouco sociável”, afirmou.
Na sequência, ele disse que quem defende uma distinção entre os diagnósticos é tratado como negacionista do nível 1 de suporte.
“E se você fala isso, ficam muito bravos com você, parece que está querendo dizer que não existe o nível 1 de suporte. Existe, mas o limite entre o nível 1 de suporte e o cara esquisito é muito pequeno”, prosseguiu.