
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, chamou de “balela” a proposta do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, de envolver Executivo, Legislativo e Judiciário em uma espécie de conselho fiscal. A crítica ocorreu nesta quinta-feira (20), em entrevista à Rádio CBN.
Sem citar o senador nominalmente, Durigan se referiu a ele como “outro candidato que vem na oposição do presidente Lula” e questionou a viabilidade da ideia diante dos ataques que atribuiu à oposição contra as instituições.
“Como que se propõe isso, se no fundo a gente está vendo todo dia ataque aos outros Poderes, desrespeito institucional? Isso é balela, isso não é crível”, afirmou o ministro.
A proposta mencionada prevê a participação dos três Poderes em uma instância voltada à discussão da situação fiscal do país. Durigan contestou especialmente a possibilidade de articulação entre integrantes da família Bolsonaro e o Supremo Tribunal Federal.

Ministro questiona diálogo da família Bolsonaro com o STF
Na entrevista, Durigan perguntou se a solução defendida seria “a família Bolsonaro discutindo com o Supremo e entrando num acordo sobre responsabilidade fiscal”.
A fala associa a crítica econômica a um embate institucional. O ministro afirmou que não considera crível defender um conselho com o Judiciário enquanto há, em suas palavras, desrespeito aos outros Poderes.
Flávio Bolsonaro ocupa uma cadeira no Senado pelo Rio de Janeiro e integra o PL. Na declaração à CBN, Durigan não detalhou como funcionaria o conselho citado nem apresentou medidas alternativas para a coordenação fiscal entre os Poderes.
O ministro concentrou sua reação na incompatibilidade que vê entre a proposta e a relação da família Bolsonaro com o STF, ao questionar um eventual acordo sobre responsabilidade fiscal com a Corte.