
O presidente Lula recebeu no Palácio da Alvorada o advogado Marco Aurélio de Carvalho, defensor de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e ouviu uma reclamação sobre o que o advogado chama de “vazamentos” de informações dos três inquéritos que envolvem o filho do presidente no Supremo Tribunal Federal (STF). O encontro ocorreu na noite de quarta-feira (19). Com informações de O Globo.
Marco Aurélio afirmou que Lula perguntou se havia procedimento para apurar a divulgação das informações. O advogado respondeu que sim: o ministro Flávio Dino, relator de um dos casos no STF, determinou a abertura de uma investigação sobre o assunto.
Segundo o defensor, Lula também defendeu que Lulinha preste depoimento e esclareça à Polícia Federal tudo o que for necessário. “Quem tocou no assunto fui eu. Ele tem dito que Fábio tem que se explicar e se colocar à disposição da Justiça. Fábio já fez isso”, disse Carvalho.
O advogado já havia levado a mesma reclamação ao ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, em conversas presenciais e por telefone. Amigo de Lula e um dos coordenadores da campanha de reeleição do presidente em São Paulo, Marco Aurélio disse que o caso do filho do petista ocupou uma parte secundária da reunião no Alvorada.

Os três inquéritos apuram suspeitas de que Lulinha praticou tráfico de influência e facilitou o acesso da empresária Roberta Luchsinger a órgãos do governo. Amiga dele, Luchsinger é sócia de uma consultoria que tentou fechar negócios com o Ministério da Saúde e outras estruturas públicas.
Mensagens obtidas pela Polícia Federal indicam que Lulinha e a empresária discutiam negócios em conjunto. Em conversa de 22 de março de 2024, Luchsinger escreveu: “Nosso nível tá outro. Nosso futuro é Suíça. Poucos negócio é bom (sic). Esse povo aqui tá em outra vibe”. Lulinha respondeu: “Isso. Deixa eles. Trabalho para caralho e nunca dá em nada”.
Outra mensagem menciona um almoço com “Berger”, referência a Swederberger Barbosa, então secretário-executivo do Ministério da Saúde. O posto era o segundo mais importante da pasta à época.
Um dos inquéritos investiga uma tentativa de negócio para fornecer medicamentos à base de cannabis ao Ministério da Saúde, operação que não chegou a ser concluída. A apuração inclui Luchsinger, Lulinha e o lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, que contratou a empresária para tentar viabilizar o contrato. A Procuradoria-Geral da República pediu que os casos deixem o STF e sigam para a primeira instância.