Vorcaro repassou US$ 12,3 milhões a fundo ligado a Eduardo Bolsonaro

O operador financeiro Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”, afirmou à Procuradoria-Geral da República (PGR) ter realizado sete transferências bancárias que totalizaram US$ 12,3 milhões, cerca de R$ 69 milhões pela cotação da época, para o fundo Havengate Development Fund, nos Estados Unidos.

Segundo o relato apresentado em seu acordo de colaboração premiada, os pagamentos foram feitos a pedido de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, ao longo de 2025. As informações foram divulgadas nesta terça-feira (8) pela jornalista Malu Gaspar, de O Globo, e confirmadas por outros veículos.

Fundo é ligado a advogado próximo de Eduardo

O Havengate é sediado nos Estados Unidos e administrado pelo advogado Paulo Calixto, que mantém relação profissional com Eduardo Bolsonaro (PL-SP). As autoridades investigam se os recursos foram utilizados exclusivamente para a produção do filme Dark Horse, sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro, ou se parte deles teve outra finalidade.

O financiamento do filme ganhou dimensão política depois que vieram a público mensagens nas quais Flávio Bolsonaro teria solicitado recursos a Vorcaro para concluir a produção. A partir daí, os investigadores passaram a examinar não apenas o custo do longa, mas também a origem e o caminho percorrido pelos recursos.

Uma perícia privada citada nas reportagens apontou que aproximadamente 72% dos US$ 13,39 milhões gastos no projeto ocorreram nos Estados Unidos, enquanto 28% foram desembolsados no Brasil. A discrepância entre os valores enviados ao Havengate e as despesas efetivamente identificadas na produção tornou-se um dos pontos de interesse da investigação.

Entre as hipóteses examinadas está a possibilidade de que recursos enviados à estrutura nos Estados Unidos tenham ajudado a financiar a permanência de Eduardo no país. O deputado deixou o Brasil em fevereiro de 2025 e passou a atuar politicamente a partir dos Estados Unidos.

“Mineiro” descreve operações a mando de Vorcaro

A colaboração de Freixo Júnior amplia o conhecimento das autoridades sobre a forma como Vorcaro movimentava recursos. Segundo o delator, sua empresa, a Entre Investimentos e Participações, funcionava como uma espécie de braço operacional do ex-banqueiro para determinadas operações financeiras.

Freixo também teria relatado aos investigadores que, em outras ocasiões, recebeu de Vorcaro a incumbência de obter dinheiro em espécie e realizar operações consideradas fora dos procedimentos financeiros convencionais. Parte desse dinheiro seria transportada em malas e entregue a terceiros indicados pelo ex-banqueiro.

No caso dos recursos enviados ao Havengate, entretanto, o ponto central da nova revelação é que o próprio operador confirmou ter realizado as sete transferências e afirmou que agiu por determinação de Vorcaro.

Delação ainda precisa ser validada pelo STF

O acordo de colaboração de Freixo Júnior foi firmado com a PGR e encaminhado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), para análise e homologação.

Enquanto a colaboração não for validada judicialmente, as declarações do delator integram o material investigativo, mas ainda precisam ser confrontadas com documentos, registros financeiros e outros elementos de prova.

O caso faz parte das investigações da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de irregularidades envolvendo o Banco Master e pessoas relacionadas ao grupo controlado por Vorcaro. A colaboração de “Mineiro” é a segunda firmada pela PGR no âmbito do caso.

A confirmação das sete transferências acrescenta, portanto, uma nova peça ao quebra-cabeça financeiro de Dark Horse: o dinheiro saiu de uma estrutura ligada a Vorcaro, passou pelo operador financeiro e chegou a um fundo administrado por um advogado ligado a Eduardo Bolsonaro.

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