
A Operação Make Up, autorizada pelo ministro Flávio Dino, expôs ainda mais André Mendonça dentro do Supremo Tribunal Federal (STF).
A corporação investiga a destinação de dinheiro público de emendas parlamentares para o filme “Dark Horse”, cinebiografia fake de Jair Bolsonaro, enquanto Mendonça conduz outra frente relacionada à mesma produção: a apuração sobre recursos transferidos por Daniel Vorcaro para financiar o longa.
Mendonça fez um primeiro movimento na quarta-feira (9/9), ao homologar a delação de Antonio Carlos Freixo Junior, conhecido como Mineiro. Ligado a Vorcaro, ele detalhou transferências para o fundo americano que financiou “Dark Horse”.
Ainda há, porém, decisões relacionadas ao caso Master à espera de Mendonça. A operação conduzida por Dino torna mais difícil prolongar essa demora.
A ação deflagrada nesta quinta-feira (10/9) mirou o deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP), entre outros. Apura-se tráfico de influência junto a tribunais superiores e suspeita de irregularidades e desvios em emendas parlamentares. A investigação conduzida por Dino já estava em andamento havia meses. Em março, ele determinou que o deputado Mário Frias explicasse uma emenda de R$ 2 milhões destinada ao Instituto Conhecer Brasil, ligado à produtora do filme.
A relação de Mendonça com Cezinha de Madureira vem de longa data.
Em setembro de 2021, depois de deixar a Advocacia-Geral da União (AGU), Mendonça retomou suas atividades como pastor evangélico e foi à Assembleia de Deus de Madureira para pregar.
Ao lado dele, no altar, estava o deputado federal Cezinha de Madureira (PSD-SP), então líder da bancada da Bíblia. Do outro lado estava Samuel Ferreira, herdeiro do templo, um reduto frequentado por políticos influentes e adorado pelo Centrão.
Naquele período, um grupo de evangélicos foi ao Palácio do Planalto pedir a Bolsonaro que tentasse acelerar a sabatina de Mendonça na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado. A sabatina era obrigatória para que o então ex-advogado-geral da União pudesse assumir uma cadeira no STF.
A via-crúcis de Mendonça até a Corte se arrastava desde o início de julho, quando o ministro Marco Aurélio Mello se aposentou e Bolsonaro o indicou para a vaga. O presidente havia elevado o tom das críticas ao Supremo e a seus ministros, enquanto o presidente da CCJ, Davi Alcolumbre (DEM-AP), colocou a indicação em banho-maria.
Assim que foi indicado, Mendonça procurou os senadores para se apresentar. Logo notou que teria de ser “terrivelmente evangélico” para emplacar seu nome e voltou à Igreja. Escolheu para seu primeiro ato o templo de Cezinha. Mendonça se reuniu diariamente com o parlamentar, que decidiu apadrinhar sua indicação ao Supremo no Congresso.
“Os senhores são bispos da Assembleia de Deus, mas, para além disso, Deus os constituiu bispos sobre a minha vida. Vocês têm autoridade espiritual sobre a minha vida. Vocês é quem são autoridades sobre mim. Eu sou um discípulo”, declarou Mendonça, usando máscaras contra a Covid-19.
Nas redes sociais, ele agradeceu a força. “Dia histórico! Pregando no templo central da Assembleia de Deus – Ministério de Madureira. Obrigado ao bispo Samuel Ferreira, ao deputado Cezinha e a todo o povo de Deus presente. Deus é a nossa esperança, pois Ele é fiel, bom e cheio de misericórdia. Deus abençoe ao nosso país!”, escreveu.
Dia histórico! Pregando no templo central da Assembleia de Deus – Ministério de Madureira.
Obrigado ao bispo Samuel Ferreira, ao deputado Cezinha e a todo o povo de Deus presente.
Deus é a nossa esperança, pois Ele é fiel, bom e cheio de misericórdia.
Deus abençoe ao nosso país! pic.twitter.com/XKSU1ubyn5— André Mendonça (@MinAMendonca) September 12, 2021