Em uma vitória retumbante para a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e para o debate democrático, o corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, suspendeu na tarde deste domingo (11) a decisão liminar do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, que havia determinado o fechamento do canal “Exército do Lula” no WhatsApp.
A medida corretiva reabilita imediatamente a principal ferramenta de mobilização digital da campanha, coordenada pelo deputado André Janones (Rede-MG), que já conta com mais de 3 milhões de seguidores.
Em uma decisão arbitrária que favoreceu a campanha de Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno, Nunes Marques atropelou a determinação do corregedor-geral e determinou a suspensão imediata do canal no WhatsApp. A medida, que silenciou a voz de 3,3 milhões de eleitores, foi tomada com uma celeridade fora do comum, atendendo integralmente e em tempo recorde aos anseios do bolsonarismo.
Correção de rota e exposição de irregularidades
A decisão do ministro Cueva, que é o relator natural do caso, expôs as fragilidades processuais e a precipitação da manobra articulada pela campanha de Flávio Bolsonaro (PL). Em seu despacho, o corregedor manifestou “preocupação” com a interferência da Presidência do Tribunal em um processo sob sua relatoria, lembrando que as atribuições administrativas devem ser exercidas “em harmonia com a competência jurisdicional dos órgãos desta Corte”.
Mais do que uma questão de rito, Cueva apontou uma grave inconsistência na estratégia da oposição: os elementos documentais usados para justificar o fechamento do canal perante a Presidência do TSE não foram apresentados na Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) original. Ou seja, a campanha de Flávio tentou usar um atalho irregular para obter uma censura sumária que não conseguiria no rito normal da Corregedoria.
“A suspensão do canal não representa providência meramente instrumental de fiscalização. Trata-se de restrição direta ao funcionamento de um meio de comunicação eleitoral, com efeitos imediatos sobre o exercício da liberdade de expressão”, enfatizou o relator, blindando o direito à comunicação da campanha de Lula.
A validação das denúncias de Lula
A decisão do corregedor valida as denúncias feitas pelo próprio presidente Lula horas antes, durante o ato histórico na Avenida Paulista. Na ocasião, Lula classificou a derrubada do canal como um “absurdo” e alertou para “decisões tendenciosas contra a nossa candidatura”.
“Nós não vamos permitir que esteja fechado um canal que está pedindo para as pessoas que querem votar participar de um canal do Exército do Lula”, havia declarado o presidente, que agora vê o sistema de freios e contrapesos da própria Corte Eleitoral funcionar para impedir o cerceamento da mobilização popular.
O desespero da oposição diante da mobilização orgânica
A reação da campanha de Flávio Bolsonaro deixa clara a verdadeira motivação por trás do pedido de censura: o pânico diante do poder de articulação digital do campo democrático. O canal, que tinha 55 mil seguidores no dia seguinte ao primeiro turno, explodiu para mais de 3 milhões em poucos dias, demonstrando uma adesão orgânica e massiva que a oposição não consegue replicar.
Ao reclamar de “mentiras em massa” e pedir “agilidade” ao TSE, Flávio Bolsonaro tenta mascarar sua incapacidade de disputar o debate de ideias. A tentativa de criminalizar a orientação de voto e o compartilhamento de conteúdos por parte de 3 milhões de cidadãos é um recurso de quem se sente acuado nas urnas.
A batalha segue no Plenário
Embora a decisão de Cueva seja preliminar e o caso ainda deva ser apreciado pelo plenário do TSE, o recado foi dado com clareza: atalhos processuais e tentativas de atropelar a relatoria para impor censura digital não serão tolerados sem o devido contraditório.
A reabilitação do “Exército do Lula” é um sopro de oxigênio para a campanha na reta final. A mensagem para a militância é de celebração e alerta: a organização digital é legítima, necessária e, quando atacada, encontra respaldo na defesa intransigente da democracia e da legalidade. A virada segue nas ruas, nas redes e, agora, com a certeza de que a mobilização não será calada.