
Imagens de estadunidenses fazendo saudações nazistas e exibindo bandeiras com a suástica durante um evento de luta no Kia Center, na Flórida, viralizaram nas redes sociais. O influenciador Darnell Edwards, que postou o vídeo, escreveu: “Estou realmente sem palavras e extremamente indignado, principalmente ao ver todas as pessoas ao redor do cara com a bandeira comemorando, saudando e aplaudindo”.
Segundo relatos de quem esteve no evento, os extremistas compareceram ao Duel Arena 1 especificamente para assistir à luta do lutador Paul Miller, conhecido como “Gypsy Crusader”, descrito pela Liga Antidifamação como um “supremacista branco-volátil”. Ele exibe no peito uma tatuagem com o símbolo da Schutzstaffel (SS) a polícia particular de Adolf Hitler e do Partido Nazista.
Miller venceu sua luta contra o israelense King Azoulay e, momentos após deixar o ringue, foi flagrado em vídeo fazendo a saudação nazista duas vezes para a plateia. Em seu discurso após a vitória, ele provocou o oponente: “Ele não é um cara durão. Ele não é um macho alfa. Ele é um pequeno judeu filho da p*ta”. A fala gerou repúdio imediato de autoridades locais e de organizações judaicas.
Não é Alemanha em 1933, mas EUA em 2026. pic.twitter.com/pvpi8RJzh9
— Pedro Ronchi (@PedroRonchi2) September 1, 2026
Marni Mandell, CEO da organização judaica Shalom Orlando, afirmou: “Este é um momento aterrorizante. O fato de ele ser tão descarado a ponto de fazer isso em um ambiente tão público é aterrorizante”.
A deputada estadual democrata Anna Eskamani, candidata a prefeita de Orlando, escreveu que ficou “enojada” e que o incidente é “outro lembrete de como o extremismo é prevalente em nossa sociedade e da responsabilidade que todos temos de combatê-lo”.
O senador republicano Rick Scott também comentou, chamando o episódio de “completamente nojento” e afirmou que “o antissemitismo NÃO TEM LUGAR na Flórida”.
A gestão do Kia Center, de propriedade da cidade de Orlando, declarou que “condena inequivocamente todas as formas de discurso de ódio, discriminação, antissemitismo e racismo”, mas ressaltou que, como operadora de espaços públicos, “é limitada pela Primeira Emenda”, que garante a liberdade de expressão nos EUA, e que não pode negar acesso “porque discordamos da ideologia política, opinião ou perspectiva”.
O prefeito Buddy Dyer também se manifestou: “Símbolos de ódio, incluindo a bandeira nazista, foram trazidos ao Kia Center neste fim de semana. Mas o ódio nunca será bem-vindo aqui. Nossa comunidade continuará a se opor ao antissemitismo e a todas as formas de ódio”. A organização do evento, Duel Arena, ainda não se pronunciou oficialmente sobre o ocorrido.