Em seu artigo “Austeridade fiscal, envelhecimento, educação e saúde: conflito distributivo ‘rides again’!”, o economista José Sergio Gabrielli de Azevedo, professor aposentado da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e consultor na área de energia, retoma o debate sobre austeridade fiscal e seus impactos sobre o desenvolvimento brasileiro.
A partir de uma análise histórica das crises econômicas e das políticas de ajuste adotadas no Brasil e no exterior, Gabrielli questiona a ideia de que a redução dos gastos públicos seja necessariamente o caminho para recuperar o crescimento. Para o autor, experiências internacionais demonstram que políticas de austeridade podem aprofundar recessões, ampliar desigualdades e transferir o custo das crises para trabalhadores e usuários de serviços públicos.
O artigo desloca o foco para um desafio que tende a ganhar peso nas próximas décadas: o envelhecimento da população brasileira. Gabrielli argumenta que a mudança demográfica aumentará a demanda por saúde, cuidados de longa duração e políticas de proteção social, ao mesmo tempo em que reduzirá a população jovem e, consequentemente, a demanda por parte dos serviços educacionais.
Na saúde, o autor chama atenção para a necessidade de ampliar recursos para o SUS diante do crescimento da população idosa, da maior incidência de doenças crônicas, da incorporação de novas tecnologias e do aumento dos custos dos serviços. Na educação, defende a manutenção e ampliação dos investimentos para enfrentar desigualdades, melhorar a aprendizagem e preparar os jovens para as transformações do mundo do trabalho.
Gabrielli também aborda o trabalho de cuidado, destacando seu impacto especialmente sobre as mulheres, e sustenta que o Estado precisa compartilhar com as famílias a responsabilidade pelo cuidado de crianças e idosos. Para ele, o debate fiscal não pode se limitar ao corte de despesas, mas deve considerar planejamento, eficiência e avaliação das políticas públicas.
Ao final, o economista afirma que a escolha entre diferentes estratégias econômicas não é apenas técnica. É uma decisão política sobre quem paga a conta e quem se beneficia das políticas públicas. Diante dos desafios demográficos, tecnológicos, ambientais e econômicos, defende um Estado forte, eficiente e capaz de planejar e definir prioridades para reduzir desigualdades e sustentar o desenvolvimento.