
A jornalista Miriam Leitão questionou a atuação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), na condução das investigações sobre o Banco Master e levantou a suspeita de que o magistrado possa ter adotado critérios diferentes na divulgação de informações com impacto político.
“A dúvida que paira sobre André Mendonça é [por] ele ter manipulado a divulgação das informações de tal forma a esconder dos brasileiros fatos importantes que influenciariam o voto”, afirmou Miriam durante debate na GloboNews.
Segundo ela, a diferença estaria na velocidade e nos critérios usados para tornar públicos documentos que atingem campos políticos distintos. “Ele fez uma lógica em que havia um tempo para as informações que afetavam a esquerda e outro tempo e outros critérios para informações que afetavam a direita”.
A discussão ocorre às vésperas de o plenário do STF analisar um relatório relacionado às mensagens enviadas pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro a Alexandre de Moraes. O ministro classificou o documento como uma “farsa” e afirmou que não há “qualquer indício para apuração de prática de infração penal”.
Moraes também apontou motivação político-eleitoral na divulgação do material e encaminhou ao presidente da Corte, Edson Fachin, uma manifestação de 44 páginas contestando as suspeitas.
Paralelamente, Mendonça mantém sob sigilo quebras bancárias e fiscais de mais de 30 pessoas e empresas relacionadas ao caso Master. Entre os alvos estão estruturas ligadas a Vorcaro que podem trazer informações sobre movimentações financeiras investigadas pela PF.
Quando Miriam Leitão e Natuza Nery dizem que a dúvida sobre André Mendonça é de “outra ordem de gravidade”, o sinal de alerta acende. 👀🔥 Agora é transparência, esclarecimento e resposta. pic.twitter.com/h7B8G52fVO
— Senhora RIVOTRIL🚩❤️ (@SRivoltril) September 15, 2026
Miriam destacou a diferença de tempo entre as decisões, lembrando, mesmo sem citar, a diferença entre os casos do senador Jaques Wagner (PT-BA) e do ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro. “Qual é a data em que isso foi pedido pela Polícia Federal? Há seis meses. Por que ele não deu? Ele demorou nove dias para esse outro pedido”.
Durante o debate, Merval Pereira argumentou que os episódios envolvendo Moraes e as informações ainda sigilosas seriam situações distintas. Natuza Nery discordou da separação.
“O personagem é o mesmo. O personagem que deflagra o caso Alexandre é o André Mendonça”, afirmou.
O ponto mais sensível da discussão envolve Flávio Bolsonaro. Documentos que perderam o sigilo revelaram que o candidato do PL é formalmente investigado no inquérito sobre o financiamento do filme “Dark Horse”, ligado à trajetória de Jair Bolsonaro. A PF apura suspeitas que incluem lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção.
Para Natuza, uma eventual interferência para preservar politicamente Flávio elevaria a crise a outro patamar. “Se for fato que o André Mendonça está usando o cargo que tem para proteger o Flávio Bolsonaro, isso é de uma outra ordem de gravidade. É maior até”.
Fachin assumiu a condução do processo envolvendo Moraes e Vorcaro e determinou a retirada do sigilo de parte dos autos do caso Master. A Procuradoria-Geral da República também se manifestou favoravelmente à publicidade do relatório do Coaf citado por Moraes. Parte das quebras bancárias, porém, continua reservada enquanto diligências da PF permanecem em andamento.