
A escritora e jornalista Madeleine Lacsko, candidata a deputada estadual por São Paulo pelo Podemos nas eleições de 2026, fez declarações negacionistas sobre o genocídio na Faixa de Gaza e colocou em dúvida o número de jornalistas mortos, alegando que profissionais contabilizados entre as vítimas poderiam, na realidade, ser integrantes de grupos terroristas. As declarações foram dadas durante entrevista ao Monark Talks, podcast de Bruno Aiub, o Monark.
A discussão começou quando os dois tratavam da escala da destruição provocada pela guerra. Neste ponto, Lacsko minimizou a devastação e questionou: “Que cidade está em pé e funcionando lá em Gaza?”. Dados recentes das Nações Unidas mostram que, até 16 de junho de 2026, 201.290 estruturas — 82% de todas as construções da Faixa de Gaza — haviam sofrido algum tipo de dano. Desse total, 134.422 foram classificadas como destruídas.
O embate mudou de direção quando Monark mencionou os jornalistas mortos no território palestino. Lacsko respondeu que a contabilização “se mistura” porque haveria “pessoas que eram da entidade terrorista” apresentadas como profissionais de imprensa.
“Tem vários que eram terroristas”, afirmou, sem citar nomes ou apresentar provas. Mais adiante, ao ser questionada sobre a quantidade de profissionais mortos, voltou a levantar dúvidas: “Jornalista, não sei, porque vi vários que são terroristas. Acho que alguns jornalistas morreram, sim, infelizmente”.
🚨Monark diz que Israel massacrou e destruiu 80% da Palestina. Madeleine Lacsko discorda, pergunta se ele já foi lá e afirma que existem restaurantes de luxo na Faixa de Gaza e que o iPhone 17 chegou primeiro lá do que no Brasil. pic.twitter.com/K22reX93zs
— Teorias do Monark (@TeoriasDoMonark) September 17, 2026
Os números verificados pela ONU contradizem a dimensão sugerida pela fala. Em abril de 2026, o Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos já havia confirmado 295 jornalistas palestinos mortos em ataques israelenses desde 7 de outubro de 2023.
A própria ONU também registrou situações em que Israel acusou jornalistas mortos de manter vínculos com o Hamas. No caso do repórter Mohamed Washah, morto por um drone israelense em abril, o Exército israelense afirmou que ele integrava o grupo.
O escritório de direitos humanos da ONU informou, porém, que não havia evidência verificável de forma independente que sustentasse a acusação e destacou que justificativas semelhantes foram apresentadas em outros casos.
A escala da tragédia também vai além dos profissionais de imprensa. Dados divulgados pela UNRWA apontavam que, até 21 de junho de 2026, 73.035 palestinos haviam sido mortos e outros 173.368 feridos desde o início da guerra, segundo números do Ministério da Saúde de Gaza compilados pela estrutura humanitária da ONU.