
O candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, afirmou que indicará ao Supremo Tribunal Federal ministros e ministras “comprometidos contra o aborto” caso vença a eleição. Em entrevista exibida pelo “Domingo Espetacular”, da Record, no domingo (30), ele também disse que pretende ter o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, como conselheiro em seu governo.
Flávio citou a possibilidade do próximo presidente indicar quatro integrantes para o STF até 2030. Uma das vagas, segundo ele, decorre da aposentadoria de Luís Roberto Barroso; outras devem surgir com as aposentadorias compulsórias de Luiz Fux, Cármen Lúcia e Gilmar Mendes. O candidato não antecipou possíveis nomes e disse que procurará pessoas que “não usem a caneta contra ninguém”.
Sobre Jair Bolsonaro, Flávio voltou a defender a anistia aos condenados pela trama golpista. Ele afirmou que o ex-presidente terá função de conselheiro e acrescentou que poderá convidá-lo para um ministério, se ele quiser.
“Até hoje eu ouço o presidente Bolsonaro em cada passo que eu dou na minha vida. Penso nele em todos os segundos nessa campanha”, afirmou. “Ele deveria, inclusive, estar habilitado para concorrer à presidência da República. Tendo em vista a perseguição, ele me passou esse ‘manto’, essa missão, que eu estou cumprindo”. Questionado pela jornalista Mariana Godoy sobre a possibilidade de convidar o pai para comandar um ministério, respondeu que a decisão “depende da vontade dele”.
Ainda sobre seu pai, Flávio foi questionado sobre o financiamento do filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro, que recebeu aporte do banqueiro Daniel Vorcaro, preso por fraudes. Flávio repetiu que não vê irregularidade em buscar patrocínio privado para uma obra sobre o pai, negou contrapartidas e uso de dinheiro público. “Estou tranquilo quanto a isso”, disse.
Rapaz, que lapada! Até a Record pulando fora do barco do Flávio Bolsonaro.
“O senhor pediu R$ 61 milhões a Daniel Vorcaro, com tratativas que chegaram a R$ 134 milhões, para financiar o filme sobre seu pai. Diante das inconsistências apontadas, o senhor vai apresentar contratos,… pic.twitter.com/VzMq76sehI
— Bruno Guzzo® (@brunoguzzo) August 31, 2026
Segurança pública e escala de trabalho
O candidato a presidência afirmou que sua primeira medida, se eleito, será classificar o Comando Vermelho, o PCC e milícias como organizações terroristas. Ele disse que buscará um acordo com outros países do continente para combater o narcotráfico internacional, projeto que chamou de “escudo das Américas”, e negou que pretenda pedir interferência dos Estados Unidos no Brasil.
Questionado sobre a proposta de mudança da escala 6 x 1, em debate no Congresso, o candidato não declarou posição direta contra ou a favor. Ele disse que defenderá “a liberdade do trabalhador escolher qual será a sua escala de trabalho” e prometeu apresentar uma alternativa que considera superior à proposta defendida pelo governo.
Na área econômica, Flávio defendeu a criação de uma governança digital apoiada por inteligência artificial para acompanhar recursos públicos. Ele também falou em instalar um “data center soberano” no país, destinado a controlar gastos em diferentes níveis da administração.
O candidato citou ainda a expansão de data centers no Brasil e afirmou que questões técnicas e eventuais impactos ambientais podem ser resolvidos. A entrevista foi gravada e exibida dois dias após sua participação na sabatina da TV Globo.