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Estamos diante de um momento histórico que transcende as métricas convencionais da economia e os relatórios formais. O Brasil que se vislumbra para 2026 nos chama a olhar além dos números e a entender, de maneira mais profunda, a estrutura social e os processos que moldam a consciência política no dia a dia da população. A percepção generalizada de que as condições de vida estão melhorando, mesmo com um debate público cada vez mais acirrado, polarizado e volátil, não é um fenômeno isolado: reflete uma nova fase na luta de ideias. Se você observa que o país avança, mas o cenário político torna-se mais desafiador e complexo, saiba que essa vivência é coletiva e tem raízes estruturais no contexto que atravessamos.
O terreno instável do chamado “voto de gratidão” está dando lugar a um espaço de convicções mais profundas, onde a disputa pela hegemonia se torna contínua e estrutural. Não é suficiente apenas entregar: é necessário estabelecer conexões.
Nesta nova fase histórica, a relação quase automática entre a realização de obras e o reconhecimento imediato da população é cada vez mais frágil. Um governo que apenas anuncia realizações corre o risco de ser ignorado. Uma parcela significativa da população brasileira passou a ver as conquistas sociais como direitos básicos, ou seja, políticas de estado que pertencem à cidadania e não a um governante temporário.
Os avanços, conquistados com muito esforço, não são mais vistos como favores, mas como direitos inalienáveis, um patrimônio coletivo que não se submete a mandatos ou partidos, mas está intrinsecamente ligado à essência do Estado Democrático. Em última análise, são conquistas do povo, independentemente de quem esteja no poder.
Simultaneamente, ressoa um desejo legítimo por uma aceleração histórica, uma aspiração de que a mobilidade social não seja apenas um momento passageiro, mas uma superação definitiva de uma desigualdade crônica. Grande parte da população vê os programas sociais, mesmo os mais recentes, como etapas importantes, mas ainda insuficientes diante de um abismo histórico de desigualdade. É um sentimento válido de quem está ansioso para que a ascensão social seja uma ruptura real com o passado, e não apenas uma melhoria pontual. Essa urgência é especialmente forte nas novas gerações, que não vivenciaram o período anterior aos governos do PT, quando não havia a atual rede de proteção social.
A esta conjuntura se somam os desafios de uma lógica onde a velocidade prevalece sobre a verdade e a “viralidade” tem mais valor do que a veracidade. Compreender esse fenômeno exige um olhar cuidadoso sobre o que o sociólogo Manuel Castells descreve como “sociedade em rede”: um ambiente onde os fluxos de informação reconfiguram a percepção da realidade, frequentemente em desacordo com a objetividade dos fatos. Nesse cenário, a verdade factual, seja um índice recorde de emprego ou o crescimento do PIB, já não se sustenta apenas por sua precisão técnica. Ela compete diariamente com a atratividade da superficialidade viral, com a lógica obscura dos algoritmos de engajamento e, acima de tudo, com uma engrenagem sistemática de desinformação, intensificada pelo uso abusivo da inteligência artificial a serviço da extrema-direita.
A consolidação dessas forças, que articula militância bolsonarista, grandes investimentos financeiros e o abandono explícito da ilusão da neutralidade das plataformas digitais, busca se apresentar como “antissistema”, enquanto atua para minar a confiança nas instituições republicanas, reativando constantemente a agenda da corrupção (não por um compromisso histórico com seu enfrentamento, lembrando que foram os governos do PT que fortaleceram mecanismos de controle e ampliaram a autonomia dos órgãos de fiscalização, mas com falsas denúncias sensacionalistas apoiadas por parte da grande mídia) e colocando em dúvida a credibilidade do governo e de suas iniciativas. Nesse contexto, os circuitos pelos quais a informação circula até chegar à palma da mão de cada brasileiro se tornam progressivamente contaminados por um fluxo massivo de conteúdos que distorcem dados oficiais, deslegitimam políticas públicas e embaralham a própria percepção da realidade.
A extrema-direita global atua hoje como uma verdadeira máquina de reorganização da percepção social, capaz de dissociar memória, experiência concreta e julgamento político. Amparada por redes digitais, desinformação sistemática e estímulos permanentes de medo e ressentimento, ela não apenas disputa narrativas, mas reprograma a forma como a realidade é percebida e lembrada. É nesse terreno que o absurdo se torna normal e o inaceitável se torna corriqueiro: fatos recentes e traumáticos são relativizados, apagados ou reinterpretados como meras opiniões. Não é trivial, nem deve ser aceito, que se tente esquecer que houve quem recomendasse cloroquina durante a pandemia, que se ridicularizasse o sofrimento de pessoas sem ar ou que se banalizasse a imagem da fome expressa na fila do osso. Também não é aceitável que declarações de líderes da extrema direita, como Donald Trump, ameaçando destruir completamente uma nação, sejam tratadas como normais, ou que, no Brasil, Jair Bolsonaro tenha defendido taxas norte-americanas sobre nossos produtos que prejudicam a economia nacional e os empresários brasileiros, colocando em risco nossa soberania e subordinando os interesses do nosso país aos EUA. Essa distorção da memória coletiva não é um efeito colateral, mas parte central de uma estratégia política que busca corroer referências éticas, confundir responsabilidades e criar um ambiente onde tudo parece equivalente, abrindo espaço para a reabilitação do que deveria ser inaceitável. Defender a democracia, hoje, implica também em reconstruir a memória, reafirmar fatos e reancorar a política na realidade vivida pelo povo.
Diante do uso sistemático da mentira e da manipulação digital, nossa resposta deve ser a radicalidade da transparência, mostrando a concretude da vida transformada, colocando essa realidade em perspectiva ao rememorar e comparar com o tempo dos governos de direita dos Bolsonaros e apontando um futuro próximo e objetivo de reformas estruturais. A agilidade que as redes requerem deve ser nossa aliada, assim como o sentimento de mudança presente nas ruas, desde que consigamos nos estabelecer como porta-vozes de um projeto que tem um lado e um compromisso histórico com a classe trabalhadora. A insatisfação justa que ainda ecoa nos corações e mentes do povo brasileiro não será jamais ignorada por nós; ao contrário, deve ser o combustível que impulsiona nosso compromisso em aprofundar políticas que desmantelam as estruturas que perpetuam a desigualdade.
Assim, a travessia até 2026 não pode ser reduzida a uma mera disputa pelo cargo de Presidente, mas deve ser compreendida como uma batalha essencial pela ressignificação do próprio sentido de comunidade e esperança no futuro. O Brasil está mudando para melhor em termos de números e indicadores, e nosso desafio – do PT, do Governo e da Campanha Lula – é assegurar que essa mudança seja percebida, sentida e defendida por cada brasileiro e brasileira. A democracia que almejamos se constrói com a entrega concreta de direitos, é verdade. Mas ela só se tornará duradoura na persistência de um diálogo constante que flua no dia a dia das ruas e das telas.
O desafio que se apresenta, portanto, não é apenas governar de forma eficaz, mas reconstruir, na prática diária, os laços entre projeto político e vida concreta. Em um tempo em que a verdade disputa espaço com a velocidade, e onde direitos são naturalizados como dados, a política volta a ser, antes de tudo, uma tarefa de presença, escuta e organização.
Se a extrema-direita opera continuamente nas redes e na produção de sentidos, nossa resposta não pode ser episódica ou reativa. Ela precisa ser estruturada, capilarizada e enraizada na vida concreta do povo brasileiro. Isso requer uma estratégia que articule, de forma indissociável, mobilização de rua e presença digital, organização de base e disputa narrativa, formação política e comunicação popular não como frentes isoladas, mas como dimensões de um mesmo projeto de construção de hegemonia.
Nesse sentido, a nucleação partidária, a ampliação dos comitês populares e o fortalecimento de uma agenda contínua de formação política deixam de ser tarefas acessórias e assumem centralidade estratégica. Esses instrumentos são essenciais para transformar políticas públicas em consciência política, direitos em identidade coletiva e avanços concretos em um horizonte compartilhado de futuro. Não se trata apenas de informar, mas de formar; não apenas de comunicar, mas de organizar.
Ao mesmo tempo, iniciativas como o Pode Espalhar, o Porta-Vozes do Lula e o PTech indicam caminhos decisivos para essa nova etapa: ampliar nossa capacidade de comunicação, qualificar a militância para a disputa nas redes e constituir uma rede viva, ativa e enraizada de porta-vozes comprometidos com o projeto democrático, popular e soberano liderado pelo Presidente Lula e pelo PT.
Traduzir o Brasil que cresce em um Brasil que sente é, portanto, uma tarefa política organizada e contínua. Significa garantir que cada conquista tenha significado, cada transformação seja reconhecida e cada avanço se converta em pertencimento e esperança. Significa disputar não apenas a interpretação do presente, mas a imaginação do futuro.
A travessia de 2026 não será uma eleição comum. Será, mais uma vez, a eleição das nossas vidas, onde não está em jogo apenas um mandato, mas o próprio sentido de país que desejamos ser. Já demonstramos, na prática, nossa capacidade de governar para melhorar a vida do povo brasileiro. Sob a liderança do Presidente Lula, o Brasil voltou a crescer, a cuidar de quem mais precisa e a se reconectar com sua dignidade e soberania. Mas a história nos ensina: não basta agir, é fundamental agir com o povo, agir com significado, agir com pertencimento.
Lula não é apenas um líder. Lula é uma expressão viva de um projeto coletivo, de um Brasil que se atreveu a sonhar e transformar esse sonho em realidade. E é por isso que, nesta travessia, cada um de nós é chamado a ser, também, um pouco de Lula: ser ponte, ser voz, ser coragem, ser esperança organizada.
A vitória não será apenas o resultado de um bom governo, que já temos e estamos realizando, mas da nossa capacidade de mobilizar, organizar e engajar o povo brasileiro na defesa de um futuro comum. Porque, no final, não basta que o Brasil melhore: é preciso que o povo sinta essa mudança pulsar em sua vida, reconheça nela sua própria história e a defenda como uma conquista sua. É nas ruas, nas redes, nos territórios e nos corações que essa eleição será decidida. E é com um povo consciente, mobilizado e em movimento que escreveremos, juntos, mais uma vez, a história do Brasil.
(*) Secretário Nacional de Comunicação do PT
(*) Professora, Doutoranda em Educação e Secretária Nacional Adjunta de Comunicação do PT.
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