TSE usará Starlink de Musk em eleição sob alerta de interferência externa

Starlink Elon Musk
Antena de sinal da Starlink, empresa do magnata Elon Musk. Foto: Jon Nazca/Reuters

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) usará a rede de satélites Starlink, da SpaceX de Elon Musk, para transmitir arquivos produzidos pelas urnas em regiões remotas nas eleições de outubro. Segundo informação do TSE à CNN Brasil, poderão ser empregados até 1.113 terminais em 13 estados, em um pleito realizado sob alertas recentes sobre tentativas de interferência estrangeira na disputa presidencial.

A Justiça Eleitoral não contratou diretamente a Starlink. A solução é fornecida pela Hughes Telecomunicações do Brasil, que usa a infraestrutura de satélites de baixa órbita da empresa de Musk. Os equipamentos atenderão locais sem conexão convencional e serão usados depois do encerramento da votação, quando arquivos gerados pela urna são enviados aos sistemas de totalização por meio do JE-Connect. A urna eletrônica permanece desconectada da internet.

O próprio TSE já havia se manifestado sobre o temor de uma interferência, afirmando em nota técnica sobre a conectividade das eleições que o provedor funciona exclusivamente como transporte e que os arquivos são assinados digitalmente na origem, seguem por uma rede privada virtual, são criptografados durante a transmissão e conferidos no destino. Segundo a Corte, o fornecedor não tem acesso ao conteúdo e a infraestrutura de comunicação não oferece um meio para acessar e alterar os votos das urnas.

Urnas
Servidores do Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF) testam lacre das urnas que serão usadas no primeiro turno. Foto: Pedro Ladeira/Folhapress

A dependência de infraestrutura privada já foi questionada no Tribunal de Contas da União (TCU), com uma das alegações abordando os riscos de uma solução cuja operação depende de infraestrutura essencial controlada por terceiros. O TCU constatou que essa dependência não havia sido analisada individualmente na matriz de riscos, mas concluiu que o contrato continha mecanismos de acompanhamento, responsabilização e continuidade suficientes para não reprovar a gestão de riscos. A Corte apontou outras falhas no processo, entre elas deficiência no levantamento de mercado.

O histórico da Starlink torna essa dependência especialmente sensível. Em 2025, a Reuters revelou que Elon Musk havia ordenado, em setembro de 2022, o desligamento do serviço em partes da Ucrânia durante uma contraofensiva contra a Rússia, provocando perda de comunicação de unidades militares. O episódio mostrou que decisões da controladora podem afetar a disponibilidade da rede.

A presença da empresa de Musk na infraestrutura eleitoral também chama atenção pelo envolvimento político recente do empresário. Nesta campanha, Musk reagiu com “Wow” a uma publicação que mostrava Flávio Bolsonaro à frente de Lula na Polymarket. Dias antes, a Abin havia classificado como “crítico” o risco de influência e interferência externa dos Estados Unidos nas eleições. O alerta da agência, no entanto, não aponta a Starlink como instrumento de interferência e não deve ser confundido com uma suspeita técnica contra o sistema contratado.

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