TSE suspende propaganda de Flávio por fake news que associa Lula a abusos

Lula e Flávio Bolsonaro. Foto: Reprodução

A ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou nesta sexta (16) que o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o partido interrompam a veiculação de uma propaganda que associava uma fala do presidente Lula (PT) a supostos abusos envolvendo crianças.

Em decisão liminar, Estela Aranha afirmou que a peça ultrapassou os limites da crítica política legítima. A ordem vale até o julgamento definitivo da representação apresentada pela coligação Brasil Pronto Pra Mais, da candidatura de Lula.

A propaganda foi exibida na televisão em 1º de outubro, último dia do horário eleitoral gratuito do primeiro turno. O vídeo reproduzia um trecho isolado de um discurso de Lula e trazia as frases “Ouça o absurdo que Lula falou” e “As mulheres aprendem a tomar toque desde pequenas”.

A peça também exibiu seis mulheres reagindo à fala do presidente. Entre as frases apresentadas estavam “Isso é um abuso, né?”, “Ele é a favor de quê? Uma criança tomar toque desde pequena?” e “Eu acho uma fala muito indecente”.

Discurso tratava de prevenção ao câncer de próstata

Lula pronunciou a fala usada no vídeo em Belém, no Pará, em 28 de setembro. Na ocasião, ele tratava da prevenção ao câncer de próstata, da resistência de homens ao exame de toque e da realização da primeira cirurgia robótica de próstata pelo SUS na Região Norte.

Para a coligação de Lula, o recorte suprimiu esse contexto e induziu eleitores a atribuírem conteúdo sexual relacionado a crianças à declaração do presidente. A representação pediu a retirada da propaganda do ar.

Estela Aranha escreveu que a combinação entre o trecho selecionado, os elementos visuais e as reações deslocou o debate sobre saúde pública para “supostas condutas de natureza sexual envolvendo crianças”, dando à fala original um sentido que ela não contém.

A ministra também afirmou que a desinformação eleitoral pode ocorrer não apenas por uma mentira inteiramente inventada, mas pela edição de uma declaração verdadeira de forma capaz de produzir interpretação enganosa. A campanha de Flávio Bolsonaro ainda não havia se manifestado sobre a decisão.

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