
A ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou nesta sexta (16) que o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o partido interrompam a veiculação de uma propaganda que associava uma fala do presidente Lula (PT) a supostos abusos envolvendo crianças.
Em decisão liminar, Estela Aranha afirmou que a peça ultrapassou os limites da crítica política legítima. A ordem vale até o julgamento definitivo da representação apresentada pela coligação Brasil Pronto Pra Mais, da candidatura de Lula.
A propaganda foi exibida na televisão em 1º de outubro, último dia do horário eleitoral gratuito do primeiro turno. O vídeo reproduzia um trecho isolado de um discurso de Lula e trazia as frases “Ouça o absurdo que Lula falou” e “As mulheres aprendem a tomar toque desde pequenas”.
A peça também exibiu seis mulheres reagindo à fala do presidente. Entre as frases apresentadas estavam “Isso é um abuso, né?”, “Ele é a favor de quê? Uma criança tomar toque desde pequena?” e “Eu acho uma fala muito indecente”.
Discurso tratava de prevenção ao câncer de próstata
COMÍCIO DE LULA EM BELÉM | Lula diz que ‘homem não gosta de tomar toque’, e ‘mulher aprende a tomar toque desde pequena’ → https://t.co/zoG0Vb7hbm
Em comício em Belém, o candidato à reeleição mencionou em discurso cirurgia robótica de câncer de próstata realizada no Pará pic.twitter.com/pOJMYmHva0
— Estadão 🗞️ (@Estadao) September 29, 2026
Lula pronunciou a fala usada no vídeo em Belém, no Pará, em 28 de setembro. Na ocasião, ele tratava da prevenção ao câncer de próstata, da resistência de homens ao exame de toque e da realização da primeira cirurgia robótica de próstata pelo SUS na Região Norte.
Para a coligação de Lula, o recorte suprimiu esse contexto e induziu eleitores a atribuírem conteúdo sexual relacionado a crianças à declaração do presidente. A representação pediu a retirada da propaganda do ar.
Estela Aranha escreveu que a combinação entre o trecho selecionado, os elementos visuais e as reações deslocou o debate sobre saúde pública para “supostas condutas de natureza sexual envolvendo crianças”, dando à fala original um sentido que ela não contém.
A ministra também afirmou que a desinformação eleitoral pode ocorrer não apenas por uma mentira inteiramente inventada, mas pela edição de uma declaração verdadeira de forma capaz de produzir interpretação enganosa. A campanha de Flávio Bolsonaro ainda não havia se manifestado sobre a decisão.