Trump recusa trégua com Irã e admite novos ataques depois das eleições

Donald Trump
Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, discursando durante a Assembleia Geral da ONU. Foto: Daniel Torok/Casa Branca

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, rejeitou uma proposta iraniana de cessar-fogo por sete dias e disse a integrantes de sua equipe que considera provável uma nova campanha de bombardeios contra o país depois das eleições legislativas de novembro. As informações são do Wall Street Journal.

Pela proposta, Washington suspenderia o bloqueio naval, descongelaria parte dos ativos iranianos e retiraria sanções sobre as exportações de petróleo. Em troca, Teerã reabriria o Estreito de Hormuz e iniciaria negociações sobre seu programa nuclear. Os Estados Unidos informaram ao Irã e aos mediadores que Trump não pretende suspender o embargo marítimo.

Publicamente, o presidente estadunidense afirma que Teerã busca um acordo e exige o desmantelamento do programa nuclear iraniano. Em privado, porém, demonstra ceticismo sobre a disposição do regime em aceitar as condições de Washington. Nesta semana, durante a Assembleia Geral das Nações Unidas, Trump chegou a ameaçar “aniquilar” o Irã caso não haja um acordo.

A eventual retomada dos ataques ainda não está definida. Segundo as autoridades citadas, Trump reluta em iniciar outra operação militar de grande escala porque os Estados Unidos querem preservar estoques de munição para outras crises. A posição, contudo, pode mudar nas próximas semanas e também ser influenciada pelo resultado das eleições de 3 de novembro.

Funeral de Khamenei
Milhões se reuniram no Irã para o funeral do Ayatollah Ali Khamenei em Teerã. Foto: Alkis Konstantinidis/Reuteres

A guerra se tornou um problema eleitoral para o republicano. Pesquisa Reuters/Ipsos citada pela Folha mostra Trump com aprovação de 32%, o menor índice de sua trajetória política. Apenas 24% aprovam sua condução da guerra contra Teerã e 17% sua atuação diante do custo de vida. Nas eleições legislativas, 43% disseram preferir candidatos democratas, contra 35% que escolheriam republicanos.

Os contatos diplomáticos continuam apesar da recusa. Qatar e outros países da região tentam reabrir negociações, e representantes estadunidenses e iranianos retomaram conversas à margem da Assembleia Geral da ONU. O chanceler Abbas Araghchi se reuniu com Steve Witkoff, enviado de Trump, e Jared Kushner, genro do presidente, nos primeiros contatos diretos entre os lados desde junho.

O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou nesta quinta-feira (24) que seu país está pronto para chegar a um acordo e que cabe aos Estados Unidos decidir se querem encerrar a guerra. A Guarda Revolucionária, por outro lado, diz estar preparada para um conflito prolongado. Com a proposta de cessar-fogo rejeitada, as negociações continuam sem garantia de que impedirão uma nova rodada de ataques depois das eleições estadunidenses.

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