Que Aparecida nos livre dos demônios da extrema direita. Por Moisés Mendes

Maria Cristina Fernandes na GloboNews. Foto: Reprodução

O DCM definiu o que a Globo fez com a jornalista Maria Cristina Fernandes. Entregou a cabeça da comentarista da GloboNews aos cães bolsonaristas. A corporação ‘desmentiu’ uma informação dela sobre o temor de setores da igreja católica com a possível retirada da gaveta de um projeto contra Nossa Senhora Aparecida.

Extremistas evangélicos estariam tentando retomar a ideia de que a santa deve deixar de ser a padroeira do Brasil, por deliberação do Congresso. Foi o que a jornalista disse na GloboNews, sem a necessidade de usar powerpoint.

O desmentido da Globo é estranho, a história toda é estranhíssima, e eu ainda acho que aí tem. Um líder evangélico chutou uma imagem de Aparecida nos anos 90. Os evangélicos não cultuam santos, o que é direito de qualquer um.

Mas por que as novas referências a Aparecida? Para jogar para a torcida da extrema direita neopentecostal? O projeto estaria sendo desengavetado? Sou solidário com Maria Cristina.

O resumo disso tudo pode estar nesta frase de Antonio Tabet, do Porta dos Fundos:

“A família miliciana odeia tanto mulher preta que resolveu atacar Nossa Senhora Aparecida!”.

(Esclareço, mesmo que não precise, que tenho uma conexão afetiva, muito mais do que religiosa, com santas e santos. É um vínculo que mantenho com as memórias das minhas velhas – minha mãe, minha avó e minhas tias rezadeiras. Por causa delas eu sou um sujeito santeiro. Não mexam com Nossa Senhora Aparecida.)

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