
A possível suspeição do procurador-geral da República, Paulo Gonet, na investigação sobre o Banco Master preocupa integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF) e da Polícia Federal. Magistrados e investigadores avaliam que uma decisão que questione a atuação do chefe do Ministério Público pode estimular pedidos de anulação de provas produzidas no caso, segundo o blog de Gustavo Uribe na CNN.
O receio é que eventuais nulidades travem o avanço da apuração e beneficiem investigados, entre eles o banqueiro Daniel Vorcaro. A defesa do dono do Banco Master pediu recentemente a revogação de sua prisão.
O Conselho Superior do Ministério Público Federal (CNMP) vai analisar, na sexta (25), menções a Gonet em mensagens atribuídas a Vorcaro. O exame ocorre em meio ao desgaste provocado por uma foto dos dois em Londres, em 2024.
A tendência entre integrantes do Conselho é reconhecer a imparcialidade de Gonet e manter sua atuação no caso. Esse desfecho reduziria o espaço para questionamentos sobre a validade de atos da investigação.

Investigação do Banco Master sofreu atrasos
A Polícia Federal esperava concluir seu relatório sobre o Banco Master em setembro, mas adiamentos de depoimentos e a crise interna no Supremo postergaram o encerramento dos trabalhos. A investigação ficou sem avanço na etapa final.
O ministro André Mendonça, relator da apuração no STF, também acompanha com preocupação a possibilidade de uma decisão que atinja Gonet. Integrantes de seu grupo avaliam que o resultado pode abrir caminho para contestações de investigados.
Mendonça determinou o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, em decisão posteriormente revertida pelo presidente do STF, Edson Fachin. O episódio ampliou as preocupações sobre futuros pedidos de nulidade no processo.
A análise do Conselho Superior do Ministério Público Federal deve definir se as referências a Gonet nas mensagens atribuídas a Vorcaro justificam alguma medida sobre sua participação na investigação. A conclusão pode influenciar diretamente a estratégia das defesas e o ritmo da apuração policial.