A presidenta do México, Claudia Sheinbaum, deu uma boa “invertida” no gângster que ocupa atualmente a Casa Branca. O presidente dos EUA, Donald Trump, fez dezenas de declarações acusando o México de lucrar com o envio de drogas para os EUA, em especial o opioide sintético fentanil e o estimulante metanfetamina. As duas drogas viraram febres nas ruas estadunidenses.
Trump chegou a ameaçar enviar tropas ao território mexicano para, supostamente, “combater o tráfico”. Uma resposta particularmente dura da presidenta mexicana veio em sua habitual coletiva de imprensa matinal, nesta terça-feira (8), quando declarou que os EUA devem estar mais atentos às suas próprias responsabilidades no combate ao tráfico de drogas.
Sheinbaum informou que o governo mexicano conseguiu reduzir em 70% o tráfico de fentanil para os EUA, fato reconhecido por Washington. No entanto, sublinhou que no país de Trump também são produzidas drogas sintéticas, “tanto que houve uma série de televisão dedicada a isso“, declarou, referindo-se à série Breaking Bad, apontando ainda que a lavagem de dinheiro, a distribuição e o consumo de droga são majoritariamente feitos nos EUA.
Citando um recente caso em que se comprovou o envolvimento de agentes americanos da Administração de Controle de Drogas (DEA) com o narcotráfico, a mandatária ressaltou: “nós insistimos que eles (EUA) têm uma parte muito importante a fazer lá (no território estadunidense), e não apenas mencionar o México“.
Os EUA vivem, há anos, uma grave crise de consumo massivo de drogas. Os dados consolidados mais recentes (2024) do Centers for Disease Control and Prevention (Centros de Controle e Prevenção de Doenças – CDC), agência federal de saúde pública dos Estados Unidos, apontam que naquele ano foram 79.384 mortes por overdose. O problema atinge todo o território do país, mas, segundo ainda os dados de 2024, é particularmente grave na Califórnia, no Texas, na Flórida, em Nova Iorque e na Pensilvânia.
Desastre retomado: EUA voltam a intensificar os ataques contra o Irã
A guerra entre os Estados Unidos e o Irã reacendeu-se com intensidade. Iniciada semanas atrás, após ataques norte-americanos a posições da Guarda Revolucionária no Estreito de Ormuz, evoluiu para uma espiral de violência que já deixou ao menos 18 mortos e mais de 140 feridos no Irã, entre eles 61 mulheres e 44 menores.
O governo Trump voltou a ameaçar novos ataques e promete, mais uma vez, aniquilar o Irã. O porta-aviões USS George Washington navega “carregado de armas até o limite”, enquanto o Comando Central dos EUA ordenou que 86 navios comerciais mudassem de rota.
O Irã, porém, não se curva. Mísseis e drones atingiram bases e instalações norte-americanas na Jordânia, no Kuwait, no Bahrein, no Curdistão iraquiano e nos Emirados Árabes Unidos.
A crise ultrapassa o âmbito militar. Por ser rota de parcela significativa do petróleo mundial, o Estreito de Ormuz tornou-se o centro do confronto, que elevou o Brent a 100,59 dólares por barril (índice desta quinta-feira – 10/9). Os apelos internacionais pela paz são ignorados.
Raúl Antonio Capote, articulista do jornal cubano Granma, termina de forma muito pertinente um artigo sobre o tema, intitulado “Retorno ao abismo”, publicado nesta terça-feira (8):
“Mas o Irã não é o país quebrado que Trump retrata em sua rede social, nem uma nação sem recursos. Possui mísseis balísticos capazes de atingir bases norte-americanas em toda a região e uma estratégia de resistência que, segundo suas próprias autoridades, foi concebida para ‘quebrar os alicerces’ de seus agressores. Assim, o mundo contempla, estupefato, como o Oriente Médio se precipita mais uma vez rumo ao abismo. E cabe perguntar: quantas vidas ainda terão de pagar o preço da arrogância imperial? Até onde Washington está disposto a chegar para manter seu domínio sobre os recursos energéticos do planeta?”.
Kiev, a corrupção e uma pergunta ainda sem resposta

Que o governo neofascista ucraniano é corrupto e seus membros enriquecem obscenamente enquanto jovens morrem nas trincheiras, poucas vozes no mundo negam, mesmo quando são vozes alinhadas a Kiev.
Recentemente, jornais, agências e sites noticiaram que a indústria ucraniana de golpes telefônicos, um negócio bilionário, foi de fato impulsionado desde 2014 pela corrupção nas forças de segurança ucranianas.
Segundo a ONG Global Initiative Against Transnational Organized Crime, o “setor” movimentaria US$ 1 bilhão por mês e empregaria 60 mil pessoas na Ucrânia.
Os “call-centers” golpistas funcionariam como modernas centrais de telemarketing, com equipes para localizar vítimas, manipulá-las, supervisionar operações e retirar o dinheiro do país. Jovens ucranianos seriam a maioria dos operadores. Embora os russos fossem alvos importantes no início, cerca de 80% das vítimas estariam hoje em países ocidentais.
A atividade criminosa, segundo diversas fontes ocidentais e da própria ucrânia, seria protegida por subornos pagos a policiais, órgãos reguladores, serviços de inteligência e integrantes do Ministério Público.
Haveria cerca de 2 mil escritórios golpistas, metade pagando proteção, num esquema de propinas estimado em US$ 240 milhões anuais. Deste total, 15% supostamente, de acordo com a mídia ucraniana, chegariam ao Gabinete do Procurador-Geral.
O governo Zelensky promoveu alterações na legislação para endurecer as penas para fraudes deste tipo. A repressão foi motivada pela pressão ocidental e por escândalos que acabaram atingindo o círculo próximo de Zelensky. Apesar das dezenas de escritórios golpistas invadidos, áudios vazados de Sergey Kropiva, promotor acusado de extorsão que atualmente está preso, indicam que parte das operações era uma ação de relações públicas. “Não estamos fazendo um esforço extraordinário”, teria dito ele a um cúmplice. “Estamos enrolando, atingindo dez deles (escritórios de fraude) por semana… O importante é conseguir uma boa cobertura da mídia para toda essa m**rda”. O procurador-geral Ruslan Kravchenko renunciou após a prisão do seu subordinado.
O empresário ucraniano Vladislav Sminorf, citado pelo site WEEX, questiona: “Se o presidente (Zelensky) realmente não sabia de nada disso, o que exatamente um dos mais centralizados sistemas presidenciais da história moderna da Ucrânia controlava? E se sabia, a questão se torna completamente diferente”.
O questionamento do empresário é pertinente porque existe uma pergunta que não quer calar: se 15% do suborno seriam para o Gabinete do Promotor, para onde iriam os 85% restantes?
Indústria argentina encolheu 5% em julho, maior queda do ano
O jornal argentino Página 12, informa, na edição desta quarta-feira (9) que a produção manufatureira da Argentina caiu 5% em julho em relação a junho, na série dessazonalizada, o recuo mensal mais acentuado de 2026 até o momento. A estatística foi divulgada no dia anterior pelo Instituto Nacional de Estatística e Censos (INDEC).
Na comparação anual, o Índice de Produção Industrial da indústria manufatureira recuou 4,9% em relação a julho de 2025, enquanto a série tendência-ciclo caiu 0,9% no mês. O acumulado dos primeiros sete meses do ano aponta uma contração de 2,6%. O dado interrompe a recuperação registrada em junho, quando a atividade havia avançado 2,1% em termos anuais.
Doze das dezesseis divisões manufatureiras registraram quedas anuais. Na comparação mensal ajustada sazonalmente, todos os segmentos recuaram.
No setor de máquinas e equipamentos, a fabricação de máquinas agrícolas despencou 46,6% em termos anuais, devido à menor produção de tratores, colheitadeiras, pulverizadores autopropelidos e determinadas linhas de implementos. No segmento de equipamentos eletrônicos, a produção de equipamentos de informática, televisores e aparelhos de comunicação caiu 49,8%, principalmente em razão da menor fabricação de telefones celulares e televisores.
A economista María Castiglioni, diretora da C&T Asesores Económicos, afirmou, de acordo com o Página 12, que a magnitude do recuo mensal superou as expectativas e poderia levar a revisões para baixo das projeções de crescimento para 2026. Ela também lembrou que julho costuma apresentar maior volatilidade por causa do período de férias de inverno.
O setor têxtil enfrenta uma menor demanda interna, somada a uma maior concorrência de produtos importados, segundo informou o órgão estatístico. A Federação das Indústrias Têxteis Argentinas afirmou que, desde novembro de 2023, foram perdidos 26.851 empregos formais no setor e 750 estabelecimentos fecharam. A entidade descreveu uma mudança na composição do comércio exterior do segmento: caíram as compras de matérias-primas, fios e tecidos, enquanto aumentaram as de peças de vestuário prontas.
Uma pesquisa da União Industrial Argentina indicou que 47,6% das empresas do setor tiveram dificuldades, em julho, para honrar integralmente pelo menos um de seus pagamentos, entre salários, fornecedores, compromissos financeiros, serviços públicos e impostos. A entidade afirmou que 9,2% registraram atrasos simultâneos em todos esses itens, o nível mais alto desde o início dos registros e acima da média histórica de 4%.
A consultoria Industria y Desarrollo, dirigida pelo ex-executivo da União Industrial Diego Coatz, atribuiu a situação à combinação de demanda fraca, aumento dos custos e condições adversas de financiamento, e estimou que ocorrem “nove fechamentos por dia” no setor. A empresa sustentou que a inadimplência superior a 90 dias entre empresas industriais passou de 0,7% para 3,8% no último ano e meio.
A construção civil também recuou em julho: 4,5% em termos anuais e 4,6% no mês, embora ainda acumule alta de 1,7% no ano.

“Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver do Universo… / Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer, / Porque eu sou do tamanho do que vejo / E não do tamanho da minha altura…”
Trecho do “O Guardador de Rebanhos”, de Alberto Caeiro, um dos heterônimos de Fernando Pessoa.