
A campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) avalia que a operação da Polícia Federal sobre possíveis irregularidades no financiamento de “Dark Horse”, filme sobre Jair Bolsonaro, não deve provocar efeito imediato nas intenções de voto do senador. A PF cumpriu mandados de busca nesta quinta-feira (10) contra investigados, entre eles a empresária Karina Gama e o deputado Mario Frias.
Interlocutores do pré-candidato veem a ofensiva com ressalvas, mas consideram que ela tem potencial de desgaste menor para Flávio do que teria caso ele próprio fosse alvo da investigação. A operação apura repasses destinados ao longa e alcança pessoas e empresas ligadas ao projeto cinematográfico.
Aliados também manifestaram alívio porque Frias não será o nome do PL na disputa pelo Senado. A legenda cogitou o deputado para a vaga, mas a família Bolsonaro escolheu André do Prado para concorrer à Casa Alta do Congresso.
Na avaliação de correligionários, o impacto seria maior se Frias integrasse a mesma chapa de Flávio e do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). O grupo cita ainda o crescimento de Flávio em pesquisas, mesmo após a divulgação de áudios nos quais ele pedia financiamento para o filme ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

PF apura desvios e movimentações de centenas de milhões
A ação da PF mira 48 alvos em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal. A corporação atua em parceria com a Controladoria-Geral da União (CGU) para investigar suposto desvio de recursos públicos de emendas parlamentares repassados, por meio de termo de fomento, a uma organização da sociedade civil.
Os investigadores suspeitam que agentes públicos e privados tenham direcionado recursos a empresas subcontratadas de maneira irregular, sem comprovação dos serviços contratados. “As investigações apontam a existência de uma organização criminosa, formada por agentes públicos e privados”, afirmou a PF.
Levantamentos financeiros identificaram movimentações da ordem de centenas de milhões de reais entre empresas que integram o esquema investigado, informou a corporação. A PF diz que as tentativas de ocultar os desvios teriam continuado até julho deste ano.
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, relata a apuração sobre os repasses de Daniel Vorcaro para o filme. Flávio Dino passou a atuar no caso a partir de uma investigação sobre emendas parlamentares destinadas ao mesmo projeto; a apuração deixou São Paulo por determinação do ministro. Os investigados podem responder por peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes licitatórios, e as defesas ainda não se manifestaram.