
Um levantamento baseado nas pesquisas mais recentes da Quaest indica que as eleições de 2026 podem levar um número recorde de mulheres ao Senado. Análise do cientista político Murilo Medeiros, da Universidade de Brasília (UnB), publicada pelo jornal O Globo aponta 15 candidatas em situação de favoritismo e outras 14 com candidaturas competitivas nas disputas pelas 54 vagas em jogo.
Se ao menos dez mulheres vencerem em outubro, o país igualará a maior proporção feminina já registrada na Casa: 18,5%, alcançada em 2014, quando cinco das 27 cadeiras em disputa ficaram com senadoras. O recorde absoluto é de oito eleitas, marca atingida em 2002 e 2010, anos em que havia 54 vagas abertas.
Medeiros avalia que partidos passaram a escalar nomes de maior projeção para o Senado diante do protagonismo que a Casa ganhou na relação entre os Poderes. Para ele, as candidaturas femininas competitivas não se concentram em apenas um campo político. “A representação feminina deixou de depender de um único campo político e passou a integrar a estratégia eleitoral de diferentes forças”, afirmou.
Em São Paulo, Marina Silva (Rede) aparece em primeiro lugar, com 14%, enquanto Simone Tebet (PSB) tem 12% e ocupa a terceira posição. Benedita da Silva (PT) lidera no Rio de Janeiro com 15%, e Marília Campos (PT) figura em primeiro em Minas Gerais, com 13%.

Michelle Bolsonaro lidera no Distrito Federal e candidaturas avançam em todas as regiões
No Distrito Federal, Michelle Bolsonaro (PL) lidera a pesquisa com 26%, seguida por Leila do Vôlei (PDT), com 17%. Erika Kokay (PT) e Bia Kicis (PL) aparecem com 11% cada, em terceiro e quarto lugares, respectivamente.
O levantamento também lista mulheres bem posicionadas em outros estados: Manuela d’Ávila (PSOL) lidera no Rio Grande do Sul com 12%; Gleisi Hoffmann (PT) está em segundo no Paraná, com 11%; e Carol de Toni (PL) tem 12% em Santa Catarina e ocupa a terceira posição. No Amapá, Rayssa Furlan (Podemos) lidera com 27%.
Entre os nomes de fora dos polos lulista e bolsonarista, aparecem a ex-governadora Roseana Sarney (MDB), em primeiro no Maranhão com 16%; Gracinha Caiado (União), líder em Goiás com 21%; e Janaína Riva (MDB), segunda colocada em Mato Grosso, com 18%. Marina JHC (PSDB), de 35 anos, tem 15% e está em terceiro lugar em Alagoas.
A cientista política Marcela Machado, doutora pela UnB, pondera que um eventual aumento da bancada feminina não significará unidade de posições no Congresso. “A ampliação da participação feminina pode ocorrer por caminhos partidários distintos, o que não significa que essas mulheres compartilhem a mesma agenda”, disse.