Renan Santos se enrola no JN ao explicar proposta que retira voto de quem recebe auxílio

Renan Santos
O candidato a presidência, Renan Santos (Missão), em sabatina pelo Jornal Nacional. Foto: Reprodução/TV Globo

Renan Santos (Missão) tentou se afastar, na noite desta quarta-feira (26), de uma proposta defendida por Orlando Lima, um dos principais colaboradores do Livro Amarelo, documento que reúne as diretrizes políticas do MBL e do partido Missão. Durante sabatina da TV Globo, o candidato à Presidência foi questionado por Renata Vasconcellos sobre a ideia de retirar o direito ao voto de pessoas sem propriedade e que recebem benefícios do Estado.

“Essa é a opinião dele”, respondeu Renan. Em seguida, afirmou que não conhecia aquela posição. A declaração, porém, contrasta com uma resposta dada pelo próprio candidato à Folha de S.Paulo em julho, quando foi procurado especificamente para comentar as teses de Orlando contra o sufrágio universal.

Na ocasião, Renan disse que as ideias não seriam propostas, mas “discussões e especulações sobre modelos de democracia”. “Tem que falar com o Orlando e os autores”, afirmou. Ele também alegou que não havia lido todo o fascículo 6 do Livro Amarelo, no qual as posições aparecem.

Pressionado por Renata sobre a participação de Orlando no projeto, Renan o classificou como “um grande pesquisador” e reconheceu que ele está entre os colaboradores mais importantes do material. A Academia MBL também oferece conteúdo sobre o Livro Amarelo ministrado por Orlando Lima e Ricardo Almeida.

Orlando defende uma “gradação da cidadania”, modelo em que pessoas dependentes de benefícios estatais manteriam direitos básicos, mas perderiam, entre outros, o direito de votar. Ele também classificou o sufrágio universal como “o maior problema da democracia” e escreveu sobre uma “democracia familiar”, com o núcleo familiar funcionando como unidade política.

Outro trecho do Livro Amarelo discute a criação de uma renda básica condicionada à “renúncia voluntária ao direito de voto”. A Constituição determina que a soberania popular seja exercida pelo sufrágio universal e protege o voto direto, secreto, universal e periódico como cláusula pétrea.

Orlando Lima Missão
Foto: Reprodução/X

Depois das cobranças, Renan chamou a posição de Orlando de “declaração infeliz” e afirmou possuir uma trajetória democrática. Citou sua passagem, não concluída, pela Faculdade de Direito da USP, a criação do MBL e a atuação contra movimentos golpistas que apareceram nas manifestações políticas entre o impeachment de Dilma Rousseff e 2022.

Renan não mencionou que o MBL apoiou Jair Bolsonaro no segundo turno da eleição presidencial de 2018. Após a vitória do então candidato do PL, o movimento exibiu em seu congresso um vídeo que celebrava a eleição como parte da “grande batalha de 2018” contra o PT. O grupo rompeu posteriormente com Bolsonaro e passou a participar de atos contra o ex-presidente.

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