
O texto que escrevi, intitulado acima, foi publicado no meu blog e também no DCM no domingo. O artigo da Miriam Leitão, que saiu hoje, está no Globo. Garanto que não combinamos nada.
A síntese dos dois textos é clara: não adianta exigir detalhes sobre um possível plano econômico do filho predileto.
O essencial é que ele reflete a imagem e os valores do pai. O que realmente importa é que Flávio Bolsonaro se identifica como um extremista de direita com tendências golpistas. O restante é apenas superfície.
Miriam Leitão, ao contrário do que é comum no jornalismo progressista, faz uma exceção, seguindo a linha do jornalismo corporativo.
É fundamental que outros também se deem conta de que estamos diante de um candidato que se mostra despreocupado com questões econômicas. Temos à vista um herdeiro do fascismo que está pronto para agir contra a democracia.
Tratar de economia neste momento é um desvio de foco que não ajuda a população a se concentrar no que realmente importa.
Não importa se Flávio atuará como um liberal bolsonarista na economia, com ou sem a presença de Paulo Guedes; o que realmente importa é que ele representa um verdadeiro risco de retrocesso e golpe.

A seguir, um trecho do artigo de Miriam:
“A crença de que Flávio Bolsonaro precisa apenas apresentar um plano de ajuste fiscal para se tornar um bom candidato demonstra uma falta de respeito com a História recente do país. O ponto crucial sobre o candidato do PL não é que tipo de cortes ele implementará em despesas públicas, mas sim quais garantias existem para a sobrevivência da democracia brasileira em um possível segundo governo Bolsonaro. Flávio é filho do ex-presidente que está encarcerado por tentativa de golpe de Estado. Ele defende abertamente o pai, nunca se distanciou dos ideais autoritários da família, tem apoio dos seguidores do ex-presidente, e já declarou que sua prioridade é anistiar o pai e todos os envolvidos. Precisa desenhar para ser compreendido?”
Este é um trecho do meu texto:
“Flávio se mantém como um candidato forte e único capaz de enfrentar Lula, pois está claro que a batalha é de todos contra o presidente e o PT. Não é porque ele tenha um plano de governo. Quanto menos ele falar sobre suas intenções, melhor para sua imagem. Ninguém que apoia a direita está interessado em saber sobre um plano. Se ele apresentar um projeto de governo amanhã, o filho ungido seguramente não saberá defendê-lo, devido à falta de compreensão sobre as estruturas e mecanismos do Estado. A ideia de que a extrema direita pode retornar ao poder já está enraizada na mente de parte da população, mesmo sem que ninguém saiba o que ele pensa sobre as políticas públicas que afetam diretamente a vida das pessoas. Não é necessário que ele saiba. O importante é preservar a essência bolsonarista.”