Recessão na Argentina: o novo desafio econômico de Milei

Javier Milei
Javier Milei, presidente da Argentina. Foto: Reprodução/Getty Images

A economia da Argentina caminha para uma recessão técnica no terceiro trimestre, segundo projeções de analistas consultados pelo Banco Central do país. A estimativa de queda de cerca de 1% no PIB representaria a segunda retração trimestral consecutiva e amplia o desafio do presidente Javier Milei antes da eleição presidencial de 2027. Com informações de Veja.

Dados divulgados pelo governo argentino nesta quarta-feira (07) indicaram recuperação parcial em agosto, após quedas intensas em julho. A construção cresceu 0,4% no mês, depois de recuar 4,4%, enquanto a indústria avançou 1,9%, após uma contração de 5,1%.

Construção e indústria figuram entre os principais empregadores formais argentinos e funcionam como indicadores relevantes da atividade. O avanço registrado em agosto não compensou as perdas anteriores, o que mantém a expectativa de desempenho negativo no trimestre.

O governo divulgará o dado oficial do PIB do terceiro trimestre em dezembro. Caso a projeção se confirme, a Argentina entrará em recessão técnica, classificação usada quando uma economia registra dois trimestres seguidos de queda.

Analistas cortam projeção de crescimento para 2026

A piora dos indicadores levou economistas a reduzir a previsão média de crescimento da Argentina em 2026 para 1,5%. No fim do ano passado, a estimativa estava em 3,5%, uma diferença de dois pontos percentuais.

Jimena Zúñiga, economista da Bloomberg Economics. Foto: Reprodução/Instagram

Jimena Zúñiga, economista da Bloomberg Economics, avaliou que os números da indústria e da construção apontam alguma recuperação, mas não afastam o risco de recessão. A leitura ocorre após uma sequência de meses de atividade instável nos setores produtivos.

Milei assumiu a Presidência no fim de 2023 e adotou medidas de estabilização fiscal e monetária. Seu governo reduziu a inflação, que atingira níveis extremos, mas ainda enfrenta dificuldade para transformar a desaceleração dos preços em crescimento consistente e melhora no mercado de trabalho.

Em entrevista à Bloomberg, Milei minimizou os sinais de enfraquecimento da atividade e afirmou que o crescimento anual o deixa tranquilo sobre a disputa presidencial de 2027. Pesquisa AtlasIntel para a Bloomberg apontou aprovação de 38% em agosto, perto do menor patamar de seu mandato, e cerca de 70% dos entrevistados classificaram a situação do mercado de trabalho como ruim.

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