Rapper afastado da turnê de Ed Sheeran por defender a Palestina dispara: “É um dever”

Macklemore Palestina
O rapper Macklemore, que se tornou um dos principais artistas na luta pela liberdade da Palestina. Foto: Jan Van den Bulck/enola.be

O rapper Macklemore respondeu nesta segunda-feira (14) ao afastamento da Loop Tour, de Ed Sheeran, e deixou claro que não pretende recuar de sua defesa da Palestina. O artista havia participado de duas apresentações de abertura no MetLife Stadium, nos dias 4 e 5 de setembro, quando gritou “Palestina livre” e manifestou solidariedade aos palestinos de Gaza e da Cisjordânia.

Ele estava previsto para mais outras oito datas, mas a promotora Messina Touring Group informou que casas de shows da etapa estadunidense ameaçaram não receber as apresentações caso ele permanecesse no elenco.

Em uma longa manifestação publicada no Instagram, Macklemore afirmou que Ed Sheeran e sua equipe decidiram retirá-lo da turnê depois de uma semana de pressões. O músico fez questão de separar o conflito político de sua relação pessoal com Sheeran, de quem diz ser amigo há 13 anos, e rejeitou qualquer tentativa de se apresentar como vítima. Para ele, as vítimas são os palestinos mortos, expulsos de suas casas, submetidos à fome e à violência em Gaza e na Cisjordânia.

“Só precisava de dois shows”, afirmou Macklemore

Macklemore resumiu sua posição em uma das passagens mais fortes do texto: “Eu não precisava de dez shows do Ed. Precisava de dois”. Segundo ele, bastaram duas oportunidades diante de cerca de 90 mil pessoas para dizer palavras que se tornaram, em sua avaliação, “perigosas demais” para grandes palcos: “Palestina livre”. E completou que, se a consequência de recolocar a Palestina no centro do debate foi perder a turnê, então aquela teria sido “a turnê de maior sucesso” de sua carreira.

O rapper também apresentou sua versão sobre o que ocorreu nos bastidores. Segundo Macklemore, Sheeran lhe contou que Robert Kraft, proprietário do Gillette Stadium, telefonou para avisar que ele não poderia se apresentar no estádio. Ainda de acordo com o relato, Kraft teria mobilizado proprietários de outras arenas e criado um ultimato: se Macklemore continuasse na turnê, os shows não seriam realizados nesses locais. Macklemore diz compreender a posição difícil em que Sheeran foi colocado, mas sustenta que isso não transforma a neutralidade em alternativa moral.

A crítica vai além de sua própria saída. Macklemore afirma que acusações de antissemitismo são usadas para interditar críticas ao Estado de Israel e faz uma distinção explícita: o antissemitismo é real e deve ser combatido, mas criticar Israel, o sionismo ou defender uma Palestina livre não equivale a odiar judeus. Para ele, foi justamente o tamanho do palco ao lado de um dos maiores artistas do mundo que tornou sua posição incômoda: “O palco vira resistência”. A discussão sobre o silêncio e as pressões dentro da indústria musical diante de Gaza já ultrapassa há muito o episódio envolvendo Sheeran.

 

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Como a defesa da Palestina virou “polêmica”

Nos shows realizados em Nova Jersey no MetLife Stadium, Macklemore defendeu palestinos e a luta contra o genocídio e a violência na Cisjordânia e em Gaza e, na segunda noite, dirigiu-se diretamente à comunidade judaica para afirmar que criticar Israel, denunciar apartheid e se opor ao que chamou de genocídio não significava atacar judeus. Mesmo assim, as manifestações desencadearam pressão sobre a turnê e culminaram em sua retirada.

Em seu texto, Macklemore defende o posicionamento e denuncia o fato de que a luta palestina não é praticar antissemitismo. O rapper cita que está há quase 3 anos defendendo publicamente uma Palestina livre e questiona a razão do assunto ter tomado proporções tão agressivas a partir do momento que ele compartilha um grande palco com alguém como Ed Sheeran.

Mesmo depois do rompimento profissional, Macklemore deixou a porta aberta para Sheeran. Disse esperar que 13 anos de amizade não terminem por causa de uma divergência dolorosa e afirmou que continuará disposto ao diálogo. Mas encerrou sem qualquer sinal de arrependimento. “Não há agradecimento por cumprir um dever”, citou o rapper ao recordar uma expressão árabe ensinada pelo irmão e resumiu: defender a humanidade dos palestinos não é heroísmo. É obrigação. E, se dizer “Palestina livre” custou seu lugar em uma das maiores turnês do mundo, ele prefere perder o palco a abandonar a causa.

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