
O avanço da direita na nova composição do Congresso Nacional elevou as dificuldades de Hugo Motta (Republicanos-PB) e Davi Alcolumbre (União-AP) para se reelegerem, em fevereiro de 2027, às presidências da Câmara e do Senado. Os dois se aproximaram do presidente Lula nos últimos meses e terão de negociar com bancadas mais fortes do PL e de partidos aliados. Com informações do G1.
Motta apoiou explicitamente a reeleição de Lula e pediu votos para o petista. O movimento também envolvia a disputa de seu pai, Nabor Wanderley (Republicanos), por uma vaga no Senado pela Paraíba, mas o prefeito de Patos não se elegeu.
O PL terá 121 deputados federais, a maior bancada de um partido desde a Constituição de 1988. Integrantes da legenda já afirmam nos bastidores que o presidente da Câmara encontrará resistência para renovar o mandato, sobretudo se Flávio Bolsonaro vencer a disputa presidencial no segundo turno.
“O Hugo fez a opção política dele, apoiou o Lula”, disse um deputado do PL sob reserva. “Com o Flávio eleito no 2º turno, a chance de reeleição do Hugo Motta é zero.” O líder do partido na Câmara, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), é citado como interessado na presidência, enquanto parlamentares da direita também consideram nomes mais alinhados ao grupo no Centrão.

PL amplia força no Senado e mira comando da Casa
Alcolumbre enfrenta um cenário ainda mais apertado no Senado. O PL elegeu 19 senadores no último domingo e chegará a uma bancada de 28 integrantes, com o apoio dos três parlamentares do Novo e de parte de PP e Republicanos.
A presidência do Senado exige ao menos 41 votos. A oposição trabalha para ampliar sua influência na Casa desde 2025, quando passou a tratar a eleição de senadores como prioridade para conquistar o comando do Legislativo.
O líder da oposição e coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, Rogério Marinho (PL-RN), aparece entre os nomes cotados para a disputa. A senadora Teresa Cristina (PP-MS), líder de seu partido, também é mencionada como possível candidata.
Alcolumbre não disputou a eleição para o Senado por estar no meio do mandato, mas perdeu aliados relevantes no Amapá: Clécio (União), candidato à reeleição ao governo estadual, e Randolfe Rodrigues (PT) e Alliny Serrão (União), que concorreram ao Senado. Aliados do presidente do Senado defendem que a aprovação da PEC do fim da escala 6×1 deve ganhar prioridade; Alcolumbre marcou a primeira sessão de discussão para esta terça-feira (6), com previsão de três sessões nesta semana e duas na seguinte.