
A disputa presidencial entra no segundo turno com um desafio matemático claro para o presidente Lula (PT). Flávio Bolsonaro (PL) terminou a primeira etapa da eleição com aproximadamente 2,5 milhões de votos de vantagem sobre o presidente.
Ao mesmo tempo, cerca de 9 milhões de votos foram destinados aos candidatos que ficaram fora do segundo turno. Esse contingente passa a ser decisivo para a definição do próximo presidente da República.
Considerando apenas uma redistribuição desses votos e mantendo os eleitores de Lula e Flávio, o petista precisaria conquistar aproximadamente 5,75 milhões dos 9 milhões de votos disponíveis para ultrapassar o adversário. Na prática, são cerca de 6 milhões de votos, ou pouco menos de dois terços desse eleitorado.
A conta parte da diferença de 2,5 milhões de votos. Para reverter a vantagem, Lula precisa não apenas compensá-la, mas obter entre os eleitores dos candidatos derrotados uma vantagem superior a esse número sobre Flávio. Uma divisão próxima de 5,75 milhões para Lula e 3,25 milhões para Flávio já produziria a virada.

O cenário real, porém, também dependerá de outros fatores. Abstenções, votos brancos e nulos e a eventual migração direta de eleitores entre Lula e Flávio podem alterar a matemática. Por isso, os cerca de 6 milhões representam uma referência baseada exclusivamente na redistribuição dos votos dados aos demais candidatos no primeiro turno.
Com a disputa reduzida a dois nomes, as próximas semanas serão marcadas pela tentativa das duas campanhas de conquistar principalmente os eleitores que votaram nas candidaturas eliminadas. Para Lula, o objetivo é obter aproximadamente dois de cada três desses votos para superar a vantagem aberta por Flávio.