PT pede cassação de chapa de Flávio por usar perfil de Marçal para espalhar fake news

O influenciador Pablo Marçal e o senador Flávio Bolsonaro. Foto: Divulgação

A campanha do presidente Lula (PT) pediu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a cassação da chapa de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) por uso irregular dos perfis de Pablo Marçal para propaganda eleitoral e disseminação de informações falsas. A ação de investigação judicial eleitoral também solicita medidas contra uma plataforma que oferece criptomoedas a usuários que compartilhem conteúdo favorável ao candidato.

Os advogados de Lula pedem uma decisão liminar para suspender o perfil de Marçal no Instagram, que reúne 14,1 milhões de seguidores, e retirar publicações que, segundo a ação, atacam a candidatura petista com desinformação ou conteúdo injurioso. A petição também requer que as contas do influenciador deixem de receber recomendações algorítmicas.

Marçal anunciou em 29 de setembro que passaria a integrar oficialmente a campanha de Flávio Bolsonaro, em evento ao lado do candidato. A ação sustenta que, após essa adesão, o perfil do ex-candidato à Prefeitura de São Paulo deveria constar como conta oficial de campanha no TSE e se submeter às regras eleitorais aplicáveis.

Entre as publicações questionadas está uma montagem baseada em áudios de uma conversa de 2016 entre Lula e o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes. A campanha petista afirma que a edição induz o público a interpretar que uma frase de Lula, retirada de seu contexto, se dirigia a evangélicos.

Petição também questiona recompensas em criptomoedas

Site de compra das criptomoedas B22. Foto: Reprodução

A ação pede o bloqueio do site B22token e a interrupção de pagamentos ou promessas de recompensa condicionados à publicação de conteúdo eleitoral. A campanha de Lula aponta possível abuso de poder econômico no modelo, que oferece tokens a usuários que divulguem a mensagem B22 e vídeos que incentivam o voto em Flávio Bolsonaro.

O site informa que participantes podem receber tokens ao publicar em redes sociais que participam da comunidade B22. Para os advogados do PT, a dinâmica reproduz o mecanismo dos concursos de cortes usados por Marçal em 2024, quando participantes disputavam prêmios financeiros conforme o alcance de vídeos divulgados.

Um perfil no Instagram voltado à arrecadação de recursos para crianças em Uganda divulgou vídeo com crianças usando camisetas amarelas com a inscrição B22 token e cantando “vota, vota e confirma, 22 é Bolsonaro”. O conteúdo ultrapassou 1,2 milhão de visualizações, e a petição afirma que os 120 milhões de tokens destinados ao grupo podem caracterizar pagamento por propaganda eleitoral feita por terceiros.

Kevim Flores, apontado como idealizador do projeto B22, disse em uma transmissão ao vivo que o objetivo era levar eleitores que votaram no 13 a compartilhar o B22 em suas redes. Nahuel Medina, aliado de Marçal e integrante da campanha de Flávio Bolsonaro, participou do vídeo. Flores não respondeu aos contatos enviados por mensagens.

A campanha de Flávio Bolsonaro afirmou que Marçal “não integra a estrutura da campanha” e atua como apoiador político declarado. Sobre a plataforma de criptomoedas, declarou que desconhece os responsáveis pelo site, não mantém relação com seu conteúdo ou com a venda de tokens e pretende adotar medidas judiciais para derrubá-lo.

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