
Lideranças do Partido dos Trabalhadores (PT) responsabilizam o ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira, pela derrota do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no primeiro turno e cobram uma mudança na estratégia para a reta final da eleição. O partido terá três semanas para reorganizar a campanha antes do segundo turno.
Três petistas ouvidos pela CNN afirmaram que a campanha operou no improviso e se afastou de temas que afetam diretamente o eleitorado. Na avaliação do grupo, assuntos como soberania e terras raras ocuparam espaço excessivo, enquanto o custo de vida não recebeu resposta suficiente.
As críticas atingem também a exposição de disputas internas. Um dos episódios citados envolve a discussão sobre as bets: Sidônio defendia proibir totalmente as apostas, enquanto o presidente nacional do PT, Edinho Silva, preferia uma transição gradual aprovada pelo Congresso.
A proibição acabou prevalecendo, mas a divulgação da medida dividiu atenção com a leitura de que Sidônio havia derrotado Edinho na disputa interna. Integrantes do partido avaliam que esse tipo de conflito prejudicou a comunicação da campanha.
Petistas cobram foco no custo de vida e na rejeição ao governo
Uma ala do PT sustenta que a campanha depositou confiança excessiva na máquina pública e em medidas econômicas sem calcular seu retorno eleitoral. O reajuste do Bolsa Família, o fim das bets e a renegociação de dívidas, na visão desse grupo, não produziram o impacto esperado nas urnas.
Os petistas também dizem que Sidônio não conseguiu enfrentar o principal discurso de Flávio Bolsonaro (PL), centrado no custo de vida e no encarecimento do supermercado. Para eles, a campanha deveria ter explorado com mais força indicadores de inflação, desemprego e crescimento econômico.

O grupo defende que o governo explique a pressão sobre combustíveis e alimentos por fatores externos, como o conflito no Oriente Médio e eventos climáticos. A estratégia buscaria responder à percepção de piora econômica entre parte do eleitorado.
Outra cobrança recai sobre a desaprovação do governo, estimada em cerca de 50%. Petistas afirmam que a comunicação não conseguiu reduzir o índice durante a campanha, diferentemente do que ocorreu nas reeleições de Fernando Henrique Cardoso, Lula e Dilma Rousseff e na campanha de Jair Bolsonaro em 2022.
O PT se reúne nesta segunda-feira (5) para definir as ações do segundo turno. Entre as possibilidades estão uma licença de Lula para dedicar-se à campanha, ataques às fragilidades de Flávio Bolsonaro — especialmente sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro — e uma mobilização específica para levar eleitores que se abstiveram no primeiro turno às urnas.