Produtora de “Dark Horse” é proibida de fechar contratos com o poder público

A produtora do filme “Dark Horse”, Karina da Gama. Foto: Reprodução

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), proibiu a Go Up Entertainment de participar de licitações e de firmar contratos com o poder público em qualquer esfera federativa. A empresa da jornalista Karina Ferreira da Gama produz “Dark Horse”, filme sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A decisão atinge a produtora enquanto a Polícia Federal apura o financiamento do longa e suspeitas de desvio de emendas parlamentares. Dino autorizou uma operação de busca e apreensão que teve Karina Gama e o deputado federal Mario Frias (PL-SP) entre os alvos.

Além da Go Up, Dino também vetou a participação da Go7 Assessoria em licitações e contratos públicos. No caso do Instituto Conhecer Brasil, outra entidade ligada a Karina Gama, o ministro suspendeu “o exercício de qualquer atividade de natureza econômica ou financeira”.

Karina entrou no projeto por meio de Mario Frias, que assina o roteiro de “Dark Horse”. A Go Up, a Go7 e o Instituto Conhecer Brasil constam no sistema da Agência Nacional do Cinema, mas não registraram nem lançaram produções para cinema, TV aberta ou TV fechada no país.

Flávio Dino, ministro do Supremo Tribunal Federal
Flávio Dino, ministro do Supremo Tribunal Federal. Foto: Reprodução

PF investiga emendas e gastos do filme nos Estados Unidos

Em relatório enviado à investigação, a Polícia Federal apontou Karina como um dos principais elos entre as entidades beneficiadas por emendas parlamentares e fornecedores contratados. Os investigadores afirmaram que ela teve atuação na gestão das organizações responsáveis pelos projetos financiados com esses recursos.

“Dark Horse” voltou ao centro do noticiário após o Intercept Brasil divulgar mensagens em que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, cobrava recursos de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para o suposto financiamento da produção.

Uma perícia privada contratada pela própria Go Up calculou o custo total do longa em US$ 13,39 milhões, valor equivalente a R$ 75,18 milhões na cotação usada pelo perito Anísio Costa Castelo Branco. O documento apontou que 72% dos gastos ocorreram nos Estados Unidos, ante 28% no Brasil.

O levantamento indicou que apenas as filmagens ocorreram no Brasil entre as cinco etapas do projeto. A perícia estimou em US$ 2,69 milhões as despesas de “soft production”, fase logística e administrativa anterior à pré-produção; produtores do setor ouvidos pela reportagem consideraram o valor elevado, pois essa etapa costuma consumir de 3% a 5% do orçamento de um filme.

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