
A defesa de Karina Ferreira da Gama, dona da Go Up Entertainment e produtora de “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro, apresentou nesta quinta-feira (10) uma reclamação constitucional à Presidência do Supremo Tribunal Federal. O movimento ocorreu horas depois de Karina ser alvo da Operação Make Up, da Polícia Federal, autorizada pelo ministro Flávio Dino. Segundo o Metrópoles, a medida pede que sejam preservadas “a autoridade das decisões da Presidência do STF e a competência do juiz natural”.
A reclamação constitucional é um instrumento utilizado para contestar atos que, segundo quem a apresenta, afrontam a competência do Supremo ou a autoridade de suas decisões. A defesa ressalvou que não pretende discutir o mérito da investigação nem, na nota divulgada, atribuiu ilegalidade às suspeitas apuradas pela PF. Também não detalhou quais decisões da Presidência da Corte considera atingidas pela condução do caso.
Karina sustenta que vinha colaborando voluntariamente com os investigadores. Na semana passada, a empresária entregou à PF cerca de 25 mil páginas com documentos sobre os gastos de “Dark Horse”, incluindo contratos, notas fiscais e comprovantes bancários. Para seus advogados, a entrega demonstraria “boa-fé e lealdade processual”.

A nova ofensiva da PF cumpriu 49 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal, em São Paulo, no Rio de Janeiro e no Ceará. Mario Frias (PL-SP), roteirista e produtor-executivo do longa, também foi alvo, e teve o celular apreendido. A investigação aponta que a Go Up movimentou R$ 19 milhões entre 10 de novembro e 30 de dezembro de 2025 e identificou coincidências entre repasses de emendas de Frias e despesas da produção do filme.
A relação entre a produtora e o Supremo já vinha sendo discutida antes da operação. Em agosto, Karina recorreu a André Mendonça para tentar suspender uma investigação conduzida em São Paulo e levar a apuração para a relatoria do ministro. Agora, a reclamação foi dirigida à Presidência do STF e ocorre em meio à disputa sobre quais procedimentos e relatores têm competência para tratar das diferentes frentes relacionadas ao filme.
Mario Frias negou irregularidades e classificou a operação como “cortina de fumaça”. O deputado afirmou que pretende colaborar com a investigação e entregar os documentos solicitados. A PF apura suspeitas envolvendo a circulação de recursos entre entidades e empresas ligadas à produção de “Dark Horse”; a apresentação da reclamação constitucional não suspende automaticamente a investigação ou as medidas já determinadas por Dino.