Presidenciável lança pacote com fim da CLT, “botox” grátis e salário de R$ 1 milhão para parlamentares

Wilson Grassi Junior de camisa preta diante de sofá cinza e quadros abstratos
Wilson Grassi Junior, candidato do Democrata à presidência. Foto: Reprodução

O veterinário Wilson Grassi Junior (Democrata), candidato à Presidência da República em 2026, defende extinguir a CLT e a Justiça do Trabalho, elevar o salário de deputados e senadores para R$ 1 milhão mensais e criar um programa de aplicação gratuita de toxina botulínica, conhecida como ‘botox’, para mulheres de baixa renda. Com informações de Folha de S.Paulo.

Grassi, de 56 anos, afirma ser o primeiro presidenciável que também é “protetor de animais”. Ele reconhece o caráter controverso de suas ideias e disse que algumas não entraram no programa de governo por receio de resistência dentro da própria legenda. “Eu tenho muita proposta polêmica, mas que eu tenho certeza que vai melhorar o Brasil”, afirmou.

A proposta para o Congresso prevê pagar R$ 1 milhão por mês a cada parlamentar, em troca do fim das emendas parlamentares. O candidato também quer que deputados e senadores arquem com despesas hoje cobertas por recursos públicos, como assessoria, carro e plano de saúde.

Grassi estima uma economia anual de cerca de R$ 300 bilhões com a medida. Ele diz ter chegado ao cálculo ao somar recursos de emendas parlamentares e das chamadas “emendas secretas”, com base em reportagens da imprensa.

Propostas incluem imposto único e mudanças no Bolsa Família

Na área trabalhista, o candidato sustenta que o fim da CLT e da Justiça do Trabalho elevaria os salários ao retirar encargos pagos pelas empresas. Ao defender a mudança, afirmou: “A gente precisa matar o Getúlio Vargas, ou enterrar, porque ele já morreu, mas ele deixou uma cultura de que o empregado é um coitadinho.”

Ele também propõe substituir nove tributos federais por um imposto único de 2% sobre movimentações bancárias. Na avaliação de Grassi, a alíquota tornaria o pagamento de impostos mais vantajoso para empresas do que a sonegação.

Outra medida defendida por ele é elevar o Bolsa Família para R$ 2.000, com a retirada do direito de voto dos beneficiários. “As pessoas mais pobres tendem a votar na esquerda, as pessoas mais ricas tendem a votar na direita. A esquerda quer se eternizar no poder mantendo as pessoas pobres”, declarou.

O programa “Meu Botox, Minha Vida” prevê aplicações gratuitas de toxina botulínica para mulheres de baixa renda. Grassi afirma que a proposta trata de autoestima e sugere financiá-la com parte da arrecadação de impostos sobre cosméticos ou com cortes no fundo público destinado a campanhas eleitorais.

Filiado ao Democrata neste ano, Grassi disputa a Presidência pela primeira vez e compõe chapa com Suêd Haidar, fundadora do partido. Ele concorreu sem sucesso a deputado estadual em São Paulo, em 2006 pelo PFL, e a vereador na capital paulista, em 2024 pelo PRTB; em 2022, a Justiça Eleitoral indeferiu seu registro para deputado federal por ausência de requisito de registro.

O candidato declarou patrimônio de R$ 50 milhões à Justiça Eleitoral, registrado em item único e sem detalhamento de imóveis ou empresas. Grassi afirmou possuir diversos imóveis e cerca de 50 empresas, mas disse que optou por não especificá-los por privacidade: “A minha necessidade de ganhar a eleição é zero”.

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