
Por Jeferson Miola, publicado no blog do autor
Ajudada pela postura do presidente Edson Fachin, em ordem unida a mídia hegemônica forçou uma versão sobre a sessão do STF que oculta a farsa criminosa do ministro André Mendonça com provável apoio estrangeiro para interferir na eleição.
No documento de defesa, o ministro Alexandre de Moraes denunciou que houve quebra da cadeia de custódia e falsificação das provas coletadas do celular de Daniel Vorcaro para a produção do relatório usado por Mendonça contra ele na acusação.
Moraes registrou [item 86] que “os metadados comprovam que o relatório não foi produzido efetivamente pela Polícia Federal, mas sim por agentes externos –pela forma de produção, provavelmente estrangeiros, comprovando a tentativa de interferência estrangeira nas eleições brasileiras– que somente enviaram o resultado para a Polícia Federal”.
De acordo com Moraes, uma evidência desta falsificação é que 47 das 52 mensagens do relatório encomendado por Mendonça para incriminá-lo “não foram nem localizadas na área de conversação doWhatsApp” do Vorcaro [item 96].
O viés político-eleitoral da ação do Mendonça é patente. Ele aguardou o calendário eleitoral para levantar o sigilo e deflagrar ilegalmente a ação contra Moraes, produzindo combustível para as mobilizações da extrema-direita no 7 de setembro.
A imprensa se escandalizou com as palavras duras [e verdadeiras] do ministro Gilmar Mendes, mas não com o fato de Mendonça ter agido, efetivamente, sem decência, com “desfaçatez”, produzindo “Pixuleco eleitoral” e com uma atitude “digna de máfia”.
A versão fantasiosa de Luiz Fux e André Mendonça sobre uma suposta “PF paralela” cai como luva para a campanha de Flávio Bolsonaro, pois serve como o equivalente petista da “ABIN paralela” que de fato existiu durante o governo Bolsonaro.

A postura acrítica da mídia a respeito dessa leviandade que abala a credibilidade da corporação é compreensível. A única ação paralela na PF que se conhece é a de policiais bolsonaristas como João Nabas, que habitualmente abastecia uma carimbada jornalista da Globo com vazamentos criminosos.
Apesar da gravidade do que se conhece sobre a cartada de André Mendonça com a condescendência de Fachin, a mídia fez uma escolha editorial sobre a crise do STF em coerência com a narrativa da extrema-direita e conveniente para a campanha de Flávio Bolsonaro.
A mídia reportou, em síntese, que o “grupo de Moraes”, integrado por “ministros identificados com Lula”, não quer deixar investigá-lo por corrupção.
O discurso da ministra Cármen Lúcia, destituído de um mínimo valor jurídico e recheado de demagogia e moralismo barato para se comunicar com o “clamor público” do senso comum manipulado, foi incensado como uma luz no fim do túnel para a salvação do STF por puros e probos.
Os impedimentos de Dias Toffoli e Kássio Nunes Marques devido às relações perigosas com Daniel Vorcaro foram registrados protocolarmente no noticiário. A mídia não questionou por que o presidente Edson Fachin abraçou a seletividade de Mendonça e abriu processo somente contra Alexandre de Moraes, se Toffoli e Nunes Marques constam nas mensagens do celular do banqueiro mafioso, e com vínculos muito comprometedores e envolvendo cifras consideráveis.
A mídia também não questionou por que as menções do ministro Flávio Dino sobre vínculos de André Mendonça e de parente do Luiz Fux com Vorcaro, cujo filho esticou o “tapete vermelho, irmão”, não motivaram Fachin a ampliar a apuração e enfrentar de verdade o “momento mais corrupto da história do Poder Judiciário”, como afirmou Dino.
Não é, portanto, de combate à corrupção que se trata. O enfraquecimento da Suprema Corte, que prejudica a campanha do Lula sob o falso pretexto de combate à corrupção, é o efeito principal do processo conduzido por Fachin com uma liturgia funcional à estratégia do ministro terrivelmente bolsonarista.
A campanha do gângster-filho é extremamente grata à Fachin, que colocou combustível na narrativa bolsonarista de que lutam contra o “sistema corrupto” que “soltou o ladrão” e “prendeu o mito” pra impedir a direita de governar e, assim, “voltar a roubar o país”.
Essa mídia antipetista e de viés lavajatista que reproduz a narrativa bolsonarista viabilizada pela condução de Fachin e Mendonça terá uma responsabilidade enorme caso o país seja novamente jogado no precipício.