
A agência reguladora de medicamentos dos Estados Unidos, a FDA, realizou em 14 de setembro uma audiência pública sobre o possível uso terapêutico de drogas psicodélicas, depois de uma ordem executiva de Donald Trump, em abril, determinar a aceleração das pesquisas e da análise de tratamentos nessa área. O encontro discutiu o uso potencial de substâncias psicodélicas para condições como depressão e transtorno de estresse pós-traumático. Com informações da Folha.
Durante a assinatura da ordem executiva, Trump também debochou sobre o tema. Ao comentar os tratamentos contra depressão, afirmou: “Não tenho tempo para ficar deprimido”. O decreto determinou medidas para acelerar a avaliação regulatória e ampliar caminhos de acesso experimental a substâncias psicodélicas, incluindo compostos de ibogaína, ainda submetidos à análise de segurança e eficácia.
💊Trump: “Não tenho tempo para ficar deprimido”
O presidente americano permitiu-se fazer uma piada enquanto assinava um decreto executivo destinado a acelerar a análise de medicamentos psicodélicos (como a ibogaina) para o tratamento da depressão. pic.twitter.com/GHTYd8B9mS
— RT Brasil (@rtnoticias_br) April 19, 2026
Cerca de 300 pessoas participaram presencialmente da audiência no campus White Oak da FDA, em Maryland, e outras acompanharam a transmissão digital. O evento reuniu dezenas de apresentadores sob o tema “Considerações sobre o Potencial Uso Terapêutico Futuro de Drogas Psicodélicas”.
Representantes do Instituto Nacional sobre Abuso de Drogas, da Administração de Abuso de Substâncias e Serviços de Saúde Mental e da Administração de Saúde dos Veteranos participaram da audiência. O encontro foi organizado para ouvir opiniões sobre o possível uso terapêutico futuro de produtos com substâncias psicodélicas em ambientes supervisionados e com suporte profissional.
A maior parte dos oradores defendeu que o governo avance na regulamentação de tratamentos psicodélicos, com debates sobre protocolos de segurança, credenciamento de clínicas e formação profissional. Defensores dessas terapias citaram principalmente casos de depressão e transtorno de estresse pós-traumático.
Críticos cobram ensaios clínicos e educação pública

As manifestações contrárias foram minoria. Susan Taymor Sagy, cofundadora da Coalition for Psychedelic Safety and Education (Coalizão pela Segurança e Educação sobre Psicodélicos), contou durante a audiência que sua filha Shira, de 21 anos, morreu após o uso de psicodélicos. A organização atua na defesa de políticas baseadas em evidências e de maior educação pública sobre os riscos dessas substâncias. Sagy defendeu que esse trabalho de conscientização tenha peso nas decisões regulatórias da FDA e alertou que a eventual aprovação de um psicodélico pode produzir efeitos culturais amplos.
Kevin Sabet, especialista em políticas sobre drogas, criticou a influência política e comercial no debate. “Os psicodélicos devem obter aprovação da mesma forma que qualquer outra classe de medicamentos: por meio da ciência e de ensaios clínicos, não da política ou de podcasters”, afirmou.
Sabet citou o lobby de Bryan Hubbard, da organização Americans for Ibogaine (Americanos pela Ibogaína), e do influenciador Joe Rogan junto a Trump. Ele também disse estar preocupado com defensores que mencionaram uma “revolução violenta” caso os psicodélicos não recebessem aprovação, referência a um vídeo de Hubbard que reproduziu uma frase de John F. Kennedy.
A FDA rejeitou em 2024 uma solicitação de licença para uma terapia baseada em MDMA contra transtorno de estresse pós-traumático, e o desenvolvimento de medicamentos psicodélicos continua submetido a ensaios clínicos e avaliação regulatória. Em 2026, a própria agência informou que segue apoiando pesquisas com psicodélicos e adotando medidas regulatórias para avaliar possíveis novos tratamentos.
A psilocibina sintética também aparece entre as substâncias pesquisadas para tratamento de transtornos mentais. Apesar do avanço do debate regulatório nos Estados Unidos, eventual chegada de terapias psicodélicas ao mercado dependerá de resultados clínicos, aprovação da FDA e das regras de segurança estabelecidas para cada produto.